Para artesãos, artesania

Bia Lessa assina concepção visual de nova exposição do Crab em diálogo com os trabalhos de artesãos do Sergipe e Alagoas

Luciana Pareja Norbiato
Detalhe de ambiente da mostra Territórios, no Centro de Referência do Artesanato do Sebrae-RJ (Fotos: Roberto Pontes)

Como exibir os trabalhos de artesãos do Sergipe e Alagoas sem cair num didatismo impessoal? A multiartista Bia Lessa deu sua resposta a essa pergunta na exposição Territórios, que o Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab) exibe a partir do dia 20/1 no Centro do Rio de Janeiro. A entidade do Sebrae que representa os artesãos do Brasil, em parceria com o Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação (IPTI), mapeou, interagiu e financiou a produção de agentes das cidades de Poço Redondo, Sítios Novos e Poço Verde, em Sergipe, e Ilha do Ferro e Entremontes, em Alagoas.

O projeto, coordenado por Renata Piazzalunga, do IPTI, atuou durante três anos junto aos artesãos dessas cidades, mapeando  sua produção e oferecendo capacitação e aprimoramento para que o artesanato local ganhasse visibilidade e viabilidade comercial. Os produtos produzidos por esses artistas, aliás, estão todos à venda na loja do Crab.

Ambientação
Para exibir os trabalhos realizados, antes, durante e depois da parceria do Crab e IPTI com os artesãos locais, Bia Lessa foi convidada a criar uma ambientação fora do convencional, que dialoga diretamente com essa produção por meio da artesania de mãos de vários Estados do país. Foram chamadas as bordadeiras da Coopa-Roca, tradicional cooperativa da Rocinha, para criar as tramas que ornam um rolo de tecido de 40 metros de comprimento, que pende do alto de um andaime em um dos ambientes da mostra.

  • Sala dos quadros com cenas e personagens de Poço Redondo
  • Detalhe de bordado pelas artesãs da Coopa-Roca
  • Artesãs da Coopa-Roca, tradicional cooperativa de artesanato da Rocinha, trabalham na montagem da exposição
  • Bolas de fibra de vidro com informações sobre a mostra expostas na calçada do Crab
  • Bia Lessa durante montagem de Territórios
  • Artesão cria trama que remete à renda de bilro
  • Detalhe de uma das paredes da mostra

Tendo como eixo central a cidade de Poço Redondo (cidade sergipana onde morreram Lampião e Maria Bonita), a primeira sala traz informações e imagens da paisagem local e seus personagens, nas legendas pintadas à mão por um grupo de calígrafos paulistanos. A caligrafia ganha destaque em outro ambiente, em que frases e informações tomam conta das paredes, escritas com mais de 2,4 milhões de pregos. Esses objetos também são suporte para tramas de lã vermelha, que remetem ao trançado da renda de bilro, entre outras atrações que prometem encher os olhos dos espectadores que passarem pelo edifício histórico da Praça Tiradentes.

A montagem de Territórios envolveu mais de 60 pessoas, em três equipes, em um trabalho manual realizado ao longo de quase três semanas e doze horas diárias. “Queria que os espaços tivessem este dado artesanal, levar a estética dos artesãos para as salas”, diz Bia Lessa. Renata Piazzalunga, do IPTI, é quem assina a curadoria.

Serviço
Territórios
Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB)
Praça Tiradentes, 69, Rio de Janeiro
De 20/1 a 19/4
www.crab.sebrae.com.br
Entrada gratuita

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