Para Brígida Baltar, com afeto

Leia a nota de pesar do IC, que destaca o protagonismo da artista na videoarte e seu pioneirismo na escultura transitória

Da Redação

Publicado em: 09/10/2022

Categoria: Da Hora

Morreu, na manhã deste sábado, 8, a artista plástica Brígida Baltar, aos 62 anos, em decorrência de uma leucemia. A notícia foi confirmada pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, onde Brígida foi aluna e docente. A artista, que vivia no Rio de Janeiro, iniciou a carreira na década de 1990 em sua casa e ateliê, que acabou se tornando um laboratório de experiências artísticas. A página oficial de Baltar diz que ela “cavou buracos e abriu janelas. Ocupou espaços inesperados, fundindo corpo e casa. Colheu goteiras e lágrimas, descascou paredes, juntou resíduos, colecionou pedaços do lugar”.

Brígida foi considerada pioneira no conceito de escultura transitória no Brasil, trabalhando com elementos da natureza, como orvalho, neblina e maresia. Sua obra já foi apresentada em diversos lugares, como na 25ª Bienal de São Paulo, em 2002, em uma instalação com imagens inspiradas nos insetos, chamada Casa de Abelha.  Em 2019, o Espaço Cultural BNDES realizou uma grande mostra de filmes da artista, reunindo 28 vídeos feitos por ela, inclusive alguns inéditos.

Há trabalhos da artista na coleção de Filmes e Vídeos de Artista – que já percorreu o Brasil em exposições itinerantes com esse recorte. De Brígida, faz parte a obra Coletas (1988-2005), um vídeo e filme em 16 mm transferido para HD e exibido em oito telas. A obra mostra a artista coletando na paisagem, em pequenos frascos, a neblina, a maresia e gotas de orvalho.

“Há uma poesia intrínseca na obra de Brígida Baltar, que através de fotografias, filmes e ações, costura sensações, lembranças e afetos”, diz Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú. “O trabalho dela é fonte rica de pesquisa e registro desta linguagem que não deve ser pedido.”

A artista também marcou o programa Rumos Itaú Cultural, quando, na edição 2017-2018, o edital selecionou o projeto Brígida. Concebido e desenvolvido em parceria dela com Jocelino Pessoa, organizou o conjunto de sua obra fílmica – mais de 30 produções, guardadas em sua mapoteca. A iniciativa resultou no site https://brigidabaltar.com/, lançado em 2021.

Tal registro tornou-se importante depois do incêndio que, em abril do mesmo ano, atingiu o galpão que mantinha obras de diversas galerias de São Paulo, ocasionando a perda de parte da obra dela, que agora pode ser vista exclusivamente no site. Ganha ainda mais importância nesse momento.

Entre os títulos guardados em sua mapoteca estavam alguns conhecidos, como Maria Farinha Ghost Crab; Coletas; e outros que foram exibidos apenas como fotografias ou projetados em slides, como Torre; Abrigo; Abrindo a Janela; e Os 16 Tijolos que Moldei. Ainda, diante do material digitalizado, foi possível realizar filmes com imagens inéditas do arquivo para marcar esta organização. Assim, surgiram A Geometria das Rosas; A Pergunta de Simone; Casa Cosmos; Despercebida; Enterrar É Plantar; Lentos Frames de Maio; O Azul Profundo e a Música que o Matias Fez com a Camille; O Corvejo, O Refúgio de Giorgio, Os Mergulhos de; Sem Escuridão; e Um Sopro.

Saiba mais em Enciclopédia Itaú Cultural e em matéria no site da instituição

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