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Camila Régis

Publicado em: 11/08/2015

Categoria: Da Hora, design

Terceira edição da feira MADE – Mercado de Arte e Design apresenta peças autorais e incentiva colecionismo

Inês Schertel - Banqueta Mocho Cuera - Créd. Fifi Tong

Legenda: Banqueta Mocho Cuera, de Inês Schertel. (Foto: Fifi Tong)

“Uso técnica de feltragem, utilizada por povos nômades da Ásia Central há mais de seis mil anos, criada antes mesmo da tecelagem”, conta Inês Schertel. Radicada em São Francisco de Paula, no interior do Rio Grande do Sul, a arquiteta é uma das expositoras da feira MADE – Mercado de Arte e Design, que acontece no Jockey Club, na capital paulista, entre 12 e 16 de agosto. Adepta do slow design, movimento em resposta a um mercado que descarta produtos na mesma velocidade que os produz, Schertel acompanha de perto o processo de feitura de seus objetos. “Tenho um rebanho de ovelhas e trabalho com a lã delas. A tosa dos pêlos acontece em dezembro, uma única vez ao ano”.

Como os bancos, cestos e luminárias da artista gaúcha, o evento expõe uma grande variedade de peças colecionáveis de design autoral e arte, realizadas por nomes brasileiros e estrangeiros. Entre os expositores, estão galerias como Artemobilia Galeria, Warm São Paulo, Passado Composto Século XX, Renome Galeria, Studio Pedrazzi, A Lot Of Brasil e Mula Preta Design. Há ainda artistas sem representação, como Alê Jordão, que traz obras feitas a partir de luzes neon e algumas esculturas, como Cadeira Blindada. De título sugestivo, o móvel, feito com vidro blindado e aço inoxidável, levou um tiro à queima-roupa. O resultado é um artigo totalmente estilhaçado e paradoxalmente intacto.

Além da exibição de obras, a feira também promove uma intensa programação de conversas e mostras. Eleito Designer do Ano pela organização da MADE, Marcelo Rosenbaum assina uma das instalações apresentadas no espaço expositivo. Já Humberto e Fernando Campana são responsáveis por Pele, intervenção realizada com argila ao longo de 54 metros quadrados de parede, logo na entrada do evento. Das exposições em cartaz, o destaque é Leve, composta por trabalhos de designers portugueses. De nomes renomados a emergentes, a mostra curada por Guilherme Braga da Cruz reúne objetos de linhas minimalistas, porém distintas das encontradas no design escandinavo, trazendo usos inusitados para materiais como cortiça, porcelana e caruma.

Gustavo Bittencourt - Cadeira Iaiá (10)

Legenda: Cadeira Iaiá, de Gustavo Bittercourt. (Foto: Divulgação)

Resgate

Algumas das ações que acontecem na MADE propõem uma nova visita a nomes do passado. É o caso do espaço que homenageia a arquiteta Lina Bo Bardi. Com 15 obras, a galeria montada no Jockey promove um leilão de parede com as obras expostas. “Escolhemos alguns nomes que trabalharam com a Lina, como Roberto Loeb, e outros que são admiradores da obra dela”, conta Sonia Guarita Amaral, presidente do Instituto Lina Bo e PM Bardi. A mostra traz fotografias, esculturas, desenhos e croquis de Marcio Kogan, Sol Camacho, André Paoliello, Laura Vinci, entre outros. “O intuito do leilão é angariar fundos para a Sociedade Amigos do Instituto. A primeira edição desse evento aconteceu em novembro, na Galeria Luisa Strina, e foi muito bem sucedida”.

A poucos metros da seção dedicada a Lina, está um estande que rememora a obra do designer Ítalo Bianchi, um dos fundadores do iadê, Instituto de Arte e Decoração, que atuou em São Paulo entre o final dos anos 1950 e 1987. Após um hiato de 28 anos, o iadê voltará à ativa em formato de galeria através das mãos de Adriana Bianchi, neta de Ítalo. “Queremos reviver o espírito que o iadê tinha de buscar novos nomes do design e das artes visuais. Voltamos agora como galeria, mas também tendo o ensino em foco através de palestras e workshops”, comenta Adriana. “Temos antigos colaboradores que agora retornam ao iadê como parte de um conselho. É o caso, por exemplo, do Ricardo e Rui Ohtake, e Haron Cohen”, finaliza.

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