PC – computador pessoal (1971-2012)

Soberano inconteste dos lares e empresas do fim do século 20, o computador chega ao fim da primeira década do século 21 como trambolho dos tempos da imobilidade

Giselle Beiguelman

N° Edição: 4

Publicado em: 02/03/2012

Categoria: A Revista, Crítica

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Um IBM 5150, rodando MS-DOS 5.0. Quem lembra? (Foto: WikimediaCommons)

Nascido nos anos 1970, o computador pessoal (PC) parecia consolidar as utopias acalentadas por décadas na ficção científica, desde os tempos em que Flash Gordon enfrentava os maléficos habitantes do planeta Mongo.

Em contraposição aos mastodônticos computadores empresariais mainframe, que chegavam a ocupar uma sala e ser maiores que uma geladeira, eram carinhosamente chamados de “micro” por seus donos.

Espécie de televisores “verde e preto” pendurados em teclados, não serviam para muito mais que salvar a vida de datilógrafos disléxicos. E isso já era muito, rendendo-lhes o trunfo de entrar para a história como implacáveis assassinos de litros de corretor branquinho. Colocaram fim a uma era de ruídos em redações jornalísticas e eclipsaram para sempre técnicas de edição literalmente cut & paste, baseadas em recortes – com tesoura – e colagem com incontáveis tubos de cola Prit.

No começo tinham nomes, como Commodore e Atari, que lembravam espaçonaves e embates entre jogadores de GO, mas depois, com a Apple, foram assumindo ares mais humanos, anunciando uma época de naturalização das tecnologias.

Com a internet, a partir de meados dos anos 1990, chegaram a ser os soberanos das empresas e dos espaços domésticos, transformando-se nos melhores amigos do homem contemporâneo. Abalados pelo poder de comunicação instantânea dos celulares, têm sua morte dada como certa, em 2012, aos 40 anos de idade, esganados pelo poder de seus filhos mais pródigos, os tablets, que prometem, com o parricídio iminente, uma era de conexão e mobilidade. Amém.

*Publicado originalmente na #select4.

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