Picassomania

Com obras do acervo pessoal do artista espanhol, retrospectiva tem um recorte pensado especialmente para o público brasileiro 

Paula Alzugaray

N° Edição: 30

Publicado em: 03/08/2016

Categoria: A Revista, Review

Guitare (1924), escultura de Pablo Picasso (Foto: Cortesia Musée National Picasso-Paris/Instituto Tomie Ohtake)

Prolífico, compulsivo e apaixonado, o espanhol Pablo Picasso (1881-1973) trabalhou dos 14 aos 91 anos e criou mais de 20 mil obras, utilizando vários meios de expressão, como pintura, desenho, escultura, cerâmica, gravura, colagem, fotomontagem, fotograma, fotografia e cenografia. Teve reconhecimento popular cedo e é uma das maiores unanimidades de toda a história da arte. Com tamanho volume e extensão, sua obra presta-se aos mais originais recortes curatoriais e editoriais. Só para citar algumas mostras em cartaz este ano, ele é a estrela de Picasso.mania (Grand Palais, Paris, 2015-2016), Picasso & Miró (Burj Khalifa, Dubai, 2016), Picasso: The Great War, Experimentation and Change (The Barnes Foundation, Ohio, 2016), Picasso Sculpture (MoMA NY e Musée National Picasso-Paris, 2016), Picasso: Transfigurations, 1895-1972 (Hungarian Natinal Gallery, Budapeste, 2016), Picasso Portraits (National Portrait Gallery, Londres, outubro 2016) e Picasso-Giacometti (Musée National Picasso, Paris, outubro 2016).

Acompanhando a Picassomania, o Instituto Tomie Ohtake traz a maior retrospectiva já montada no País desde 2004, em mostra na Oca, em São Paulo. Picasso: Mão Erudita, Olho Selvagem é composta de 116 obras escolhidas a dedo pela curadora Emilia Philippot, do Musée National Picasso – Paris. Segundo ela, não se trata de uma exposição itinerante pret-à-porter, como as organizadas pelo museu entre 2008 e 2012, mas pensada especificamente para o Brasil. O recorte traça um percurso cronológico e temático em torno daquelas que são consideradas as principais fases do artista: os anos de estudo em La Coruña e de formação em Barcelona; o processo de geometrização por meio dos estudos para a obra-prima Les Demoiselles D’Avignon; o cubismo, do qual é considerado um dos “inventores”; a relação com o teatro e a dança; a politização nos estudos para a Guernica; as representações da guerra; o erotismo exacerbado dos anos finais.

Essa temática mais generalista do que as exposições montadas em outras cidades do mundo se presta a uma função pedagógica de apresentar a trajetória a um público que não tem acesso aos originais de Picasso. Todas as obras pertencem ao Musée National Picasso, que tem um acervo de 5 mil peças composto, em sua maioria, de obras que o artista guardou em vida ou que foram readquiridas no final. Por isso, um acervo precioso. Segundo a curadora, o número reduzido de esculturas (20), em relação às pinturas (34) e desenhos (42), deve-se ao fato de grande parte da coleção de esculturas do museu estar atualmente em Picasso Sculptures, organizada em parceria com o MoMA.

Ainda assim, há momentos altos, como uma guitarra cubista e pinturas que são consideradas carros-chefes do musée (pois integram uma publicação de 1985 que seleciona as 70 obras mais importantes), como Homme à la Guitare (1911), Les Baigneuses (1918), Deux Femmes Courant Sur La Plage (1922) e Paul en Arlequin (1924).

Serviço
Picasso: Mão Erudita, Olho Selvagem
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 – São Paulo
Até 14/8
www.institutotomieohtake.org.br

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