Pioneiras e radicais

Radical Women, Hilma af Klint, Laura Lima, Valeska Soares e Rosana Paulino na programação da Pinacoteca de São Paulo em 2018

Paula Alzugaray
A primeira performance de Lenora de Barros, Homenagem a George Segal (1984) (Fotos: Cortesia Galeria Millan)

A exclusão e a invisibilidade da mulher no sistema de arte internacional é uma preocupação central das curadoras Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta na construção de Radical Women: Latin American Art, 1960-1985, em cartaz no Hammer Museum até 31/12 e um dos grandes destaques do projeto Standart Pacific Time: LA/LA, na Califórnia. São nada menos que 23 as brasileiras radicais. Há outras 18 argentinas, 14 colombianas, 14 chilenas e assim por diante, formando uma grande teia engajada com o feminismo, o artivismo, a política, o descolonialismo e práticas do corpo.

Entre as brasileiras, Carmela Gross integra a mostra com Presunto, de 1968, e Lenora de Barros com os trabalhos Homenagem a George Segal (1984) e Poema (1979). “Da língua fecundando a linguagem nasceria um poema. Minha ideia era justamente criar um poema que falasse do nascimento da linguagem”, diz Lenora de Barros a seLecT.

A Pinacoteca do Estado de São Paulo concorda com a tese da exposição e anunciou sua montagem em 2018. “Há uma lacuna de artistas mulheres na coleção da Pina. A dominância de artistas homens é muito grande”, diz Jochen Volz, diretor da Pina, à seLecT. “A exposição ‘Mulheres Artistas: As Pioneiras Pioneiras’, na Pinacoteca, em 2015, foi extremamente importante para apontar essa lacuna e deu visibilidade ao assunto, orientando as exposições até hoje. Sem ela, uma exposição como ‘Invenções da Mulher Moderna’, no Instituto Tomie Ohtake, teria sido diferente. Conseguimos contribuir com várias obras do acervo”.

Radical Women na Pinacoteca terá 260 trabalhos entre fotografias, vídeos e outros meios experimentais. “O que fica evidente numa exposição como essa é como as artistas mulheres nesse período entre 1960 e 1985 inventaram e reinventaram nosso modo de pensar. Toda a videoarte foi feita por artistas mulheres. Toda a arte-performance foi principalmente feita por artistas mulheres, no mundo inteiro”, diz Volz.

As mulheres radicais da Pinacoteca em 2018 são Rosana Paulino (dezembro), Valeska Soares (setembro), Laura Lima (no Octógono, em julho) e Hilma af Klint (março). Será a primeira exposição de Klint, que vem sendo reconhecida como pioneira no campo da arte abstrata, na América Latina. “Ela sabia que estava à frente de seu tempo. Principalmente por ser uma artista mulher, fazendo este tipo de trabalho, com cosmovisões e pesquisas com outras foras de conhecimento. Na época ela teria sido tachada de esquizofrênica”, diz Jochen Volz.

Leia mais sobre Hilma Af Klint em matéria publicada na seLecT de outubro de 2016.

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