Plano de voo

Vai decolar um dos projetos de maior envergadura da cena artística atual no País: o novo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

Angélica de Moraes

Publicado em: 09/12/2011

Categoria: A Revista, Reportagem

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O espaço é impactante. Um dos melhores prédios da melhor fase da criação de Oscar Niemeyer (anos 1950), possui grandes vãos livres, pontuados de colunas de formas essenciais e áreas envidraçadas imensas, que fazem a paisagem da cidade penetrar na estrutura, integrando-a ao skyline da metrópole e ao verde do Parque do Ibirapuera. Em março de 2012, confirma Tadeu Chiarelli, diretor do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), esses espaços, revitalizados e ampliados para abrigar a nova sede do mac, serão inaugurados com um conjunto de exposições que ocupará seis de seus sete andares.

Entraves administrativos de toda ordem já foram superados, garante ele. Em dezembro de 2011, uma cerimônia oficial assinala a transferência da propriedade do prédio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo para a USP. O litígio sobre a ocupação do terreno vizinho também já foi solucionado, resgatando 16 mil metros quadrados para o jardim de esculturas do museu. Conforme esclarece o assessor de obras da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Angelo Mellios, “as características construtivas de fachada, estrutura e volumetria foram mantidas”.


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Confira o ensaio fotográfico de Ricardo Van Steen na nossa galeria virtual no FlickR.

Paradoxalmente, essas históricas características já correram risco de ser alteradas em nome do próprio autor do projeto. Em 2007, o prefeito José Serra solicitou a Oscar Niemeyer uma adaptação do edifício. Embora o local fosse tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), o escritório de Niemeyer apresentou projeto que alterava radicalmente as características da fachada.

Como recorda Mellios, a fachada “presumia a substituição dos caixilhos por vidros ininterruptos pretos e ainda uma parede escultórica em vermelho, solta da edificação”. Iphan e Conpresp não aprovaram, “por entenderem que a proposta descaracterizava o bem tombado”.
Com isso, garantiu-se não só a integridade da construção como sua harmonia com os prédios de igual época e autoria, que fazem do Parque do Ibirapuera um dos mais importantes conjuntos de obras de Niemeyer no país.

O total da área expositiva do novo MAC (incluídos os anexos, mas não os jardins) é de 12 mil metros quadrados. Isso significa quase metade dos 25 mil metros quadrados do Pavilhão do Ibirapuera, sede da Bienal de São Paulo, outra joia niemeyeriana.

O agora novo MAC, há décadas ocupado pelo Departamento de Trânsito paulista (Detran), livrou-se dos dédalos de madeira do funcionalismo público e recuperou a beleza. Cada andar tem 1,6 mil metros quadrados para exposições, ampliado por duas alas anexas.

Quatro andares (do sétimo ao quarto) são para expor o acervo. Nos anexos menores de cada andar serão alojadas exposições monográficas de artistas de presença importante no acervo, como Julio Plaza, Leon Ferrari e Rafael França. Dois andares (terceiro e segundo) terão exposição de obras recentes (últimos 15 anos), “que não pertencem ao museu, mas dialogam de modo muito vivo com ele”, diz Chiarelli, que faz a curadoria geral. O anexo original (mezanino) será ocupado com uma exposição de 16 fotos de grande formato de Mauro Restiffe, sobre a reforma do prédio.

Todas as exposições terão longa duração: um ano para acervo e seis meses para as demais. Chiarelli: “Não acredito que se possa fazer um bom trabalho de formação do público com exposições que duram um mês ou algumas semanas”.

Confira o ensaio fotográfico de Ricardo Van Steen na nossa galeria virtual no FlickR.

Agradecimentos: engenheiro Oswaldo Padilha, assistente de fotografia Adriano Vanni

*Publicado originalmente na #select3.

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