Poeta pintor de nome simples

Orandi Momesso conta sobre a publicação biográfica de José Antonio da Silva, que reúne mais de 70 obras e textos de pesquisadores e artistas 

Luana Rosiello

Publicado em: 29/04/2022

Categoria: Da Hora, Destaque, Entrevista

Detalhe da capa de Silva - Um Gênio na Coleção Orandi Momesso (Foto: Divulgação / Coleção Orandi Momesso)

“Silva é, para mim, um dos maiores artistas da arte brasileira, um gênio.” Com essa frase Orandi Momesso começa a conversa com a seLecT sobre o lançamento de uma publicação retrospectiva da trajetória e produção do artista e poeta José Antonio da Silva (Sales de Oliveira, 1909 – São Paulo, 1996). Ao longo de 350 páginas, trabalhos do artista paulista – que apesar de considerado, por alguns, como primitivista, para Momesso, é, em sua essência, expressionista – conversam com textos da historiadora de arte Ana Paula Nascimento e do crítico de arte Paulo Venancio Filho; do poeta Augusto de Campos, que descreve sua produção como um ”desafio a categorizações por meio de uma criatividade sem barreiras”; de Olívio Tavares de Araújo, curador da maior exposição do artista, realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 1998; do pintor Paulo Pasta, que percorre algumas obras de Silva, como Espantalho Diante da Paisagem (1956), Campos Plantados com Bananeiras (1956) e Operação Cirúrgica (1956), e afirma que ele não pinta a partir do que vê, mas sim a partir do que viu e viveu; além de uma rica cronologia assinada por Fernanda Pitta.

Há 50 anos, Momesso tem cultivado um olhar apurado sobre a produção artística brasileira, possuindo uma das mais relevantes coleções de arte do Brasil. A Coleção Orandi Momesso reúne cerca de 5 mil obras, incluindo clássicos, pré-modernos, modernistas e contemporâneos. De urnas funerárias pré-cabralinas até obras de jovens emergentes, o colecionador reuniu um relevante conjunto de arte sacra e arte popular, que frequentemente vem doando para instituições como o MASP, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o MAM-SP. Com o intuito de compartilhar parte de sua coleção com o grande público, o colecionador organiza publicações retrospectivas de artistas de seu acervo. Este ano, ele presta homenagem à importante personalidade cuja poética ganhou protagonismo em sua coleção com o livro Silva: Um Gênio na Coleção Orandi Momesso, disponível nas principais livrarias e lojas de museu. 

seLecT: O que motivou a idealização do livro Silva: Um Gênio na Coleção Orandi Momesso?
Conheci a produção do artista ainda muito jovem, quando visitava a Pinacoteca do Estado de São Paulo e me deparei com um quadro seu; a partir disso, meu interesse só aumentou e passei a adquirir obras de sua autoria. Hoje, a Coleção Orandi Momesso possui cerca de 70 obras de Silva, e o livro é uma forma de colocá-las nos olhos do público. A ideia de organizar publicações de artistas é também uma forma de compartilhar com o público recortes da coleção, que é super eclética; abrange arte e mobiliário coloniais, prataria sacra, obras dos séculos 17 e 18, arte e design modernos. A coleção é aberta, ou seja, continua crescendo e recebendo peças atuais. Obras de José Antonio da Silva estão em importantes acervos de museus, como MASP e MAM-SP, que, inclusive, foram doadas por nós, e em muitas coleções particulares. 

Quais outros livros de artistas da coleção você destacaria?
Temos uma publicação de parte da obra que possuímos na coleção do pintor e escultor da segunda geração dos modernistas Raphael Galvez, outra sobre a produção do artista italiano da segunda geração de modernistas Mick Carnicelli, que envolveu uma mostra retrospectiva no MAM-SP, em 2004, intitulada Mick Carnicelli – São Paulo Paisagem da Alma, com curadoria de Tadeu Chiarelli, e também alguns projetos em desenvolvimento: uma autobiografia do Galvez saindo do forno e um livro sobre a imaginária do século 16, 17, 18 e parte do 19, com textos assinados por Carlos Lemos, um dos maiores conhecedores de arte sacra.

Ainda que cubra um arco histórico longo, você diria que a coleção possui algum recorte temático?
O século 20 é muito representativo na coleção, que é, essencialmente, de nomes brasileiros modernistas, como Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, e artistas estrangeiros que tiveram participação ativa na cultura brasileira, como a portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, o húngaro Árpád Szenes, os ítalo-brasileiros Alfredo Volpi e Ernesto De Fiori, e muitos outros que se envolveram em nossa cultura local. 

Quais são os próximos passos da Coleção?
Estamos projetando um parque, em parte de uma fazenda localizada no Paraná, que será um museu a céu aberto com mais de 40 esculturas da coleção. Eu mesmo faço a curadoria. Até o momento, temos obras de grandes artistas do modernismo, como Victor Brecheret e Rafael Galvez, e também contemporâneos, como Sérgio Romagnolo, Angelo Venosa, Luiz Sacilotto, entre outros. O parque permite que o visitante encontre natureza e arte ao mesmo tempo, nos fazendo pertencer ao espaço. No futuro, pretendemos criar pavilhões e, possivelmente, levar a coleção para lá. Esse espaço é a obra-prima da coleção.

Livro Silva: Um Gênio na Coleção Orandi Momesso

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