Poluição visual urbana

Julius Wiedemann

Publicado em: 05/01/2012

Categoria: Colunas Móveis, Reportagem

A democratização da impressão pela evolução da tecnologia cobra seu preço nas ruas

Coiote

Foto: Felipe Cunha

Desenvolvimento tecnológico é inevitável e, em grande parte, sua adoção depende de como os cidadãos comuns incorporam o uso das novas possibilidades no seu dia a dia. Tornar a vida mais fácil deveria ser sempre uma das funções de avanços tecnológicos. E muitas vezes isso ocorre.

A partir dos anos 1970, as impressoras a jato de tinta passaram a imprimir imagens digitais e, desde os anos 1990, tornaram-se equipamento
de primeira necessidade, tanto em escritórios quanto em residências, suplantando em grande parte as impressoras a laser. Hoje, elas chegam a
imprimir com uma qualidade de 2.400 dpi.

Nos cenários doméstico e corporativo, suas influências e benefícios são incalculáveis.

As impressoras evoluíram tanto, que passamos a contar com impressões em grande formato. Ou, melhor dizendo, formatos gigantes. As aplicações são infindáveis. Backlights, outdoors, cartazes, fachadas inteiras, galhardetes, caminhões e carros cobertos de imagens e muito mais. As maiores vantagens estão no custo e na acessibilidade. O metro quadrado está cada vez mais barato e a cada dia existem mais provedores de serviços. É a democratização de novos meios agindo com toda a sua força.

Mas muitas vezes a adoção maciça de novas tecnologias não vem sem deixar cicatrizes. Neste caso, é uma cicatriz urbana. A partir da popularização das impressões em grande formato, o cenário urbano vem sofrendo um grande revés visual e estético. Viajando constantemente por cidades brasileiras, maiores e menores, e em países distintos, observo a grande quantidade do uso abusivo do recurso. Gosto pode ser sempre relativo. Mas acredito que existirá sempre uma noção quando algo entra no exagero. Por isso mesmo São Paulo resolveu limpar a cidade dos outdoors.

A falta de legislação também é culpada. Em cidades mais preocupadas com a integridade estética (exemplo de Londres e Brugges, por onde já passei) vê-se bem pouco sua influência. Quanto mais pobres são as áreas, maior é a penetração e, seguramente, menor o controle sobre as consequências dessa nova estética para o coletivo. Legislações não devem atrapalhar, mas, sim, ponderar entre as possibilidades existentes e o que o senso comum que os pagadores de impostos estão dispostos a tolerar do livre-arbítrio e do livre-comércio. Precisamos de um corretivo.

Julius Wiedemann é editor-executivo de design e diretor de publicações digitais para a Taschen. Nos últimos sete anos, editou mais de 25 livros em áreas como publicidade, internet, computação gráfica, arte, design.

*Publicado originalmente na edição impressa #3.

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