Folclore brasileiro em Cannes

Dobradinha de filmes nacionais ganha destaque na premiação do festival de cinema mais pop do mundo

Luciana Pareja Norbiato

Publicado em: 25/05/2016

Categoria: Da Hora, Notícias Quentes

Cena do documentário Cinema Novo, de Eryk Rocha (Foto: Reprodução)

Não deu para Kleber Mendonça Filho e seu Aquarius em Cannes, mesmo com a ultradiva brasileira Sonia Braga como protagonista. O longa que revela a situação política do país por meio da especulação imobiliária no Recife perdeu a Palma de Ouro para outro filme político: I, Daniel Blake, do britânico Ken Loach.

Mas nem tudo foi derrota para o Brasil na França, pelo contrário. A começar pelo protesto da equipe de Aquarius contra o Governo Temer. E continuando pelo Olho de Ouro, prêmio conferido aos documentários no badalado Festival da Côte d’Azur, que surpreendeu ao ficar com Cinema Novo, de Eryk Rocha.

O filho de Glauber Rocha fez jus à memória paterna ao levar à telona os desdobramentos do movimento cinematográfico genuíno do Brasil dos anos 1960. Nele, realizadores como Rocha, Leon Hirszman e Rogério Sganzerla mesclaram a estética da Nouvelle Vague ao universo do popular e do homem comum brasileiro.

O presidente do júri dessa premiação foi Gianfranco Rosi, diretor vencedor do Urso de Ouro no último Festival de Berlim pelo documentário Fogo no Mar, sobre as embarcações que cruzam o Mar Mediterrâneo transportando refugiados para a Europa. O diretor do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, o brasileiro Amir Labaki, participou como um dos jurado do Olho de Ouro.

Frame do curtametragem A Moça Que Dançou com o Diabo, de João Paulo Miranda (Foto: Reprodução)

Frame do curta-metragem A Moça Que Dançou com o Diabo, de João Paulo Miranda (Foto: Reprodução)

Financiamento por rifa
Já o folclore paulista surge como tema do curta-metragem A Moça que Dançou com o Diabo, que ganhou menção honrosa na mostra francesa. O filme, dirigido por João Paulo Miranda Maria, foi produzido e realizado inteiramente na cidade de Rio Claro com apenas R$ 500, angariados por diversas estratégias, inclusive rifas com produtos doados por comerciantes da cidade.

É a segunda participação do cineasta no festival com um curta: no ano passado, Miranda Maria conseguiu emplacar na seleção de Cannes Command Action, sobre um menino numa feira livre que titubeia entre comprar o que a mãe pediu e o robô que dá título ao filme.

No enredo deste ano, uma lenda do folclore paulistano ganha atualização na figura de uma moça de família extremamente religiosa que tenta buscar sua satisfação pessoal por outros caminhos. A realização é o produto final de um projeto que o diretor criou há dez anos, o Kino-Olho. A produtora independente reúne sua equipe a partir de oficinas gratuitas que oferece em bairros periféricos de Rio Claro. O que é mais popular que o substrato do Cinema Novo e a realização de um filme de baixíssimo orçamento com equipe periférica e enredo do folclore brasileiro? Só a nova edição de seLecT, que em junho e julho traz às bancas e à internet o tema Popular. A #seLecT30 chega já!

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