Praças e quadrados mágicos

Paula Alzugaray

Publicado em: 31/07/2015

Categoria: Editorial

Edição comemorativa de quatro anos, a próxima seLecT volta-se para os artistas que assumem franca comunicação com fenômenos naturais e sobrenaturais

A edição nº 25 de seLecT volta-se para os artistas que assumem franca comunicação com fenômenos naturais e sobrenaturais. Na Coluna Móvel, o artista Mario Ramiro chama atenção para o fato de que, apesar da existência de um grande número de artistas envolvidos desde o século passado na criação de obras em diálogo com esse universo temático, “no âmbito das artes visuais o assunto ainda é cercado de restrições, ao contrário do que ocorre no cinema”. Mario Ramiro iniciou sua pesquisa em torno do invisível no fim dos anos 1980, quando construía esculturas de calor que irradiavam “volumes imateriais” em torno dos objetos. Em 2000, finalizou um mestrado na Alemanha focado na produção de fotografias “do invisível”. Em 2008, apresentou o doutorado na ECA USP sobre A Fotografia dos Espíritos no Brasil.

Estudos sobre esse gênero fotográfico existiam, até então, apenas no âmbito do espiritismo. Sintonizada com a tese de Ramiro de que o cinema assumiu antes o diálogo com esse campo temático, seLecT traz dois trabalhos cinematográficos baseados em experiências sobrenaturais: The Forbidden Room, do canadense Guy Maddin que estreia na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo; e Hilda Hilst Pede Contato, longa da cineasta paulista Gabriela Greeb, em captação de recursos para finalização. Ambos em reportagens de Luciana Pareja Norbiato. Mas o papel desta seLecT é, essencialmente, argumentar a atualidade do binômio natureza/sobrenatureza no campo da arte contemporânea.

Como bem acrescenta Mario Ramiro em sua coluna, a temática “Fantasmas” é um dos seis pilares sobre o qual se apoia o conceito curatorial da 32a Bienal de São Paulo, prevista para 2016, com curadoria de Jochen Volz. Aqui, em entrevista a Giselle Beiguelman, o historiador dinamarquês Lars Bang Larsen, integrante da equipe curatorial da 32a Bienal, fala sobre a potência crítica do psicodelismo e suas relações com o ocultismo. Em sinuosa e astuta manobra intelectual, Larsen relaciona ocultismo e política econômica: “O zumbi é um morto-vivo, ele está morto, mas tem muita mobilidade. Não está acordado, mas está sempre ocupado. E pessoas que dormem, humanos, são cada vez menos adequados para a manutenção dos fluxos do capital”.

Sua evocação da consciência suprassensorial de Hélio Oiticica também vem bem a calhar. Afinal, mais que “uma versão brasileira do psicodelismo”, o suprassensorial envolve atos de liberação – do corpo, da materialidade, do condicionamento do cotidiano – e forças que desencadeiam a sensibilidade ambiental. Estratégias encontradas na arte contemporânea brasileira hoje, na obra de artistas como Ayrson Heráclito – nossa capa e portfólio. Não por acaso, HO é duplamente citado nesta edição. Sua segunda aparição se faz em Magic Square #5, instalação no Inhotim e no Espaço de Instalações Permanentes do Museu do Açude, no Rio, que ganha minuciosa reportagem de Márion Strecker e Gustavo Fioratti. Para fechar o quadrado mágico desta edição de 4º aniversário, temos a satisfação de trazer às mãos de nossos leitores uma gravura inédita de Leda Catunda. Esta segunda edição do projeto Edições de Artista tem o gentil apoio da ArtEEdições Galeria.

Vida longa à seLecT!

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