Prêmio Sotheby’s volta-se para artes indígenas

Júri premiou exposição do Masp e proposta coletiva da Casa do Povo, da Pinacoteca de São Paulo e da aldeia Kalipety

Leandro Muniz
Dau tibuya (2014), de Isaka e Ibã Huni Kuin, fará parte da exposição Histórias Indígenas no Masp (Foto: Divulgação)

O Prêmio Sotheby’s, que há três anos celebra projetos voltados a áreas sub-representadas na história da arte, decidiu contemplar dois projetos brasileiros dedicados às produções indígenas. O valor de US$ 250.000,00 será dividido entre os dois escolhidos. Um deles foi o Masp, com a proposta de exposição Histórias Indígenas, programada para 2021. A mostra reunirá trabalhos de variadas linguagens, origens e períodos, com seções dedicadas às histórias indígenas de diferentes países, organizadas por curadores indígenas de cada região. O comitê de seleção do prêmio foi composto por importantes curadores e conselheiros de museus e fundações como Allan Schwartzman, Connie Butler, Donna de Salvo, Emilie Gordenker e Sir Nicholas Serota.

O outro selecionado é um projeto inscrito coletivamente pela Casa do Povo, pela Pinacoteca de São Paulo e pela aldeia Guarani Mbya Kalipety, que se define como um centro cultural, um museu e uma casa de orações. Eles propuseram a realização da mostra Opy, expandida entre os três espaços, como resposta ao incêndio no Museu Nacional da República em 2018 e à ausência de produções indígenas na cena de arte. 

A programação de Opy – título provisório que significa casa de reza – tem curadoria da pesquisadora indígena Naine Terena, do francês Benjamin Seroussi, diretor da Casa do Povo, da professora e líder indígena Jera Guarani e do alemão Jochen Volz, diretor da Pinacoteca. A exposição incluirá obras das coleções dessas instituições, uma série de debates, além de ações que já fazem parte do cotidiano das comunidades indígenas participantes. Entre os objetivos da mostra está descolonizar suas programações, assim como “indigenizar” a noção de arte.

A diferença de escala e de missão de cada uma das instituições promove a descentralização e a colaboração como formas de levantar discussões em torno da preservação da memória, do meio ambiente e do patrimônio cultural e humano. Há cerca de 500 anos o povo Kalipety tem contato com a chamada civilização ocidental e esse projeto é uma forma de fortalecer sua atuação no presente. 

Serviço
Opy, exposição coletiva
A partir de 7/2020
Casa do Povo
| casadopovo.org.br
Pinacoteca | pinacoteca.org.br
Aldeia Kalipety | Estr. Evangelista de Souza

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