Proclamação da Independência

Luciana Pareja Norbiato

Publicado em: 29/07/2015

Categoria: Da Hora, intervenções e projetos

Ciclo de debates O Artista Gestor e a Potência Independente, produzido pelo Ateliê 397, aborda questões prementes dos espaços à margem da institucionalização

Ateliê 397

Eles não são institucionalizados, e não é à toa. Os espaços independentes de arte correm à margem do circuito artístico estabelecido como uma forma de atuação mais livre e resistente às demandas de mercado. Não que ignorem a realidade do sistema de arte e da própria vida cotidiana, com a necessidade de sobrevivência em nível individual, de seus agentes, e coletivo, de suas próprias iniciativas. 

Mas buscam equilibrar sua atuação entre os aspectos pragmáticos e a vontade de projetar novas possibilidades poéticas que contaminem a normatividade vigente. De que forma fazem isso? Com perfis tão diferentes entre si que só compartilham o nome genérico “espaços independentes” e a ideia de aproximar do público suas estratégias particulares e sempre em mutação. Esses projetos estão no centro do ciclo de debates O Artista Gestor e a Potência Independente, produzido pelo Ateliê 397.

Desde o dia 27/7 (segunda) até esta quinta, 29/7, passam pelo galpão da Vila Madalena diversos coordenadores desses espaços no Brasil e no exterior, como Giuseppe de Bernardi (Tupac, Peru), Renan Araujo (Bordel, Ribeirão Preto) e Benjamin Seroussi (Casa do Povo, SP). Este último está na mesa que acontece hoje (29/7/15), ao lado de Samantha Moreira (Ateliê Aberto, Campinas) e Sally Mizrachi (Lugar a Dudas, Colômbia), sob mediação de Sergio Pinzón, a partir das 19h30, com entrada franca. Basta aparecer na rua Wizard, 397, Vila Madalena, SP. Hoje, depois do debate, uma festinha com discotecagem e pista de dança promete animar os presentes.

Nos dois dias anteriores, as falas deram conta da diversidade de atuação desses núcleos de ação artística, como também das idiossincrasias inerentes ao papel ao mesmo tempo marginal e já inserido no sistema da arte da atualidade. Como no caso da segunda-feira (27/7), em que Ricardo Basbaum e Giuseppe de Bernardi, sob mediação de Marcelo Amorim, artista e coordenador do Ateliê 397 ao lado de Thaís Rivitti, debatiam as dificuldades de se criar um modo de gestão justamente pela pluralidade de formas de produção artística de cada espaço. 

Nesse sentido, a tentativa de implementar um modelo de gestão inexiste, porque as decisões são cotidianas, surgidas à medida em que a programação e suas questões vão acontecendo. O próprio sistema de financiamento público de artes visuais não compreende um modelo que assegure a liberdade de ação desses espaços. 

Samantha Moreira, que estava na plateia, comentou: “No ano passado, quando tivemos o patrocínio da Petrobrás, foi maravilhoso por um lado e um pouco brochante, por outro. Porque era ótimo poder fazer uma programação pagando todo mundo, os artistas, a equipe técnica, e ter a verba de funcionamento do Ateliê Aberto garantida. Mas, como tivemos de apresentar uma programação fechada para entrar no projeto, ficamos engessados, não podíamos ir criando novas iniciativas ao longo do ano”, ela comentou.  

Já na terça, sobressaiu a fala de Benjamin Seroussi, envolvido ao mesmo tempo com a Casa do Povo, no bairro paulistano do Bom Retiro, e com o projeto de um centro cultural na Vila Itororó, que desalojou famílias que viviam há anos no local. 

Do primeiro espaço, Seroussi afirmou que não tem qualquer interesse em institucionalizá-lo, no sentido de criar programações permanentes, como exposições e temporadas. A ideia é ocupar o lugar com atividades de curtíssima duração, conferindo ao espaço uma dinâmica de inserção nos assuntos mais atuais da comunidade e da arte. E também momentos de puro ócio, aberto à imaginação dos frequentadores.

Quanto à Vila Itororó, apesar de ter sido convidado para participar da implementação do centro cultural, é crítico à desocupação das famílias que lá viviam. Por isso, tenta trazer essa população para ajudar na concepção da programação do local. 

Amanhã (30/7), a mesa de encerramento traz Camila Fialho, da Associação Fotoativa (Belém do Pará) e Jorge Sepúlveda T. (Curatoría Forense, Chile).

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