Profeta da ayahuasca

Como Mestre Irineu criou uma comunidade e uma religião brasileira original a partir de cosmogonia afro-indígena

Ronaldo Bressane

N° Edição: 51

Publicado em: 07/10/2021

Categoria: A Revista, Destaque, Perfil

ensaio fotográfico Ayahuasca (2013-2014), de Márcio Vasconcelos, realizado durante o Festival Ecumênico Estrela Brilhante, em São Luis (MA) (Foto: Cortesia do artista)

“Quando Mestre Irineu chegou lá na Praça de São Luís, tava aquela multidão de gente se inscrevendo para vir para o Acre. Disseram que no Acre se ganhava dinheiro. Ele se interessou e veio. Chegou em Manaus, foi sorteado pra cortar seringa, que ele achava bonito. Chegou em Boca do Acre, Amazonas, contrataram ele para a Comissão de Limites, aí ele subiu pelo Rio Purus para tirar o limite do Acre com o Peru. Foi subindo até a Serra do Moa, Juruá, de lá ele cortou para o Peru, onde tomou aoasca pela primeira vez com os incas. De lá, já cortou para o rumo de Assis Brasil, veio descendo até chegar em Brasileia. Aí foi que ele começou a tomar aoasca novamente.”

Parece muito singelo o depoimento de Paulo Serra, filho adotivo de Raimundo Irineu Serra. Mas é cheio de significados. Este pequeno parágrafo condensa uma fabulosa viagem iniciática que originou a mais sincrética das grandes religiões brasileiras. Irineu era um negro de 2 metros de altura, musculoso, carismático, analfabeto, filho de escravos libertos, dono de grande sorriso e silêncio intimidador. Atrás de trabalho na lavoura seringueira, viajou 4 mil quilômetros para, afinal, descobrir com xamãs peruanos a ayahuasca – a substância enteógena que anos depois ele rebatizaria de daime.

Os antropólogos Edward MacRae e Eduardo Moreira, autores de Eu Venho de Longe – Raimundo Irineu Serra e Seus Companheiros (EdUfba, 2011), mais alentada biografia do líder religioso, indicam 1912 como o ano em que o maranhense nascido em 1890 lançou raízes no Acre. No extremo ocidente brasileiro, mais exatamente em Alto Santo, começou a contar sua peculiar narrativa ayahuasqueira. Criou práticas, vestimentas, cânticos, textos e toda uma cosmogonia. Fundiu artes, técnicas e crenças de matrizes africana, indígena e europeias em um templo original. Uma religião que se universaliza pelo mundo de modo silencioso, seguro e sereno – características típicas de Mestre Irineu, ou Juramidam, seu nome no plano astral.

Depois de trabalhar no Exército, na demarcação de fronteiras do Acre com a Bolívia e o Peru, Irineu encontrou dois conterrâneos em Xapurie começou a trabalhar para eles como regatão, vendedor de mercadorias a seringueiros. Esses amigos maranhenses, os irmãos Costa, conheciam caboclos que viviam no interior da floresta e estavam em contato com indígenas peruanos. Era corrente a ideia entre os populares de que quem tomasse sua ayahuasca veria “demônios” – generalização cristã para a visão de entidades da floresta.

“Pelejei com Deus muitas vezes, vou tomar essa aoasca; não arrumei nada com Deus, vou lutar com o diabo, ver o que é que o diabo vai me dar”, teria dito Irineu. Numa quarta-feira, tomou, sentou-se, e aí começou o “afluído” (termo criado por Irineu para substituir o regular “borracheira”, sinônimo de embriaguez). Começou a chamar pelo diabo. Cada Cão que chamava era uma cruz que aparecia. Para mil e seiscentos diabos, surgiu um cemitério. Ele disse: “Eu quero o maioral, o chefe dos diabos”. Então viu uma cruz maior que todas. Aí ele pôde compreender que não era “coisa do diabo”.

A iniciação de Irineu
Existem muitos relatos que corroboram o mito da fundação do Santo Daime, ou daimismo. Havia entre os populares amazônidas um temor em relação às religiões vegetalistas, cujas práticas remontam a milênios. A imagem da cruz teria aparecido para Irineu em confronto com a visão diabólica. Mas há também uma imagem ainda mais antiga que a do diabo: a serpente – visão comum nas mirações dos usuários mais antigos da ayahuasca. Irineu teria aprendido com os irmãos Costa como juntar o cipó de mariri com a folha da chacrona e cozinhá-los juntos para resultar no chá da ayahuasca. E foi bebê-la sozinho. Esta segunda visão é crucial.

“Irineu viu a lua cheia”, relataram. “Dentro da lua cheia representou-se a lua nova e no centro uma princesa. Ela perguntou a ele: ‘O que estais vendo?’
Ele disse: ‘Tô vendo uma princesa que se o mundo todo visse parava’. E começou a ver muita coisa. Ela perguntou pra ele:
‘Tu tem coragem de dizer que essa bebida é o diabo?’
‘Não.’
‘Tem coragem de dizer que essa bebida é uma cobra?’
‘Não.’
‘Acredita que isso aí que tu tá vendo nunca no mundo ninguém viu? Agora, me diz: quem você acha que eu sou?’ Diante daquela luz, ele disse:
‘Vós sois a Deusa Universal!’
‘Muito bem. Agora, você vai se submeter a uma dieta. Para poder receber o que eu tenho para te dar…’”

Naquele momento, sua guia feminina sugeriu que Irineu reservasse uma dieta: oito dias de abstinência sexual, sem consumir álcool, trigo nem carne – outra prática comum nas religiões vegetalistas antes e depois do consumo da ayahuasca. Quando terminou a dieta, a Rainha apareceu para Irineu. Disse que ele já estava pronto: poderia pedir o que quisesse. E ele pediu para ser o maior curador do mundo. A Rainha disse que a bebida se chamava daime. “Como um pedido a Deus: ‘dai-me saúde’, ‘dai-me amor’.” Em outras mirações, Irineu descobre o nome da princesa: Clara. Anos mais tarde, nos hinos que irá compor, vai passar a chamá-la sucessivamente de Senhora, Mulher, Mãe, Irmã, Rainha – um simbolismo plural que encarna muitas entidades femininas: a encarnação da própria floresta.

Em uma miração seguinte, Irineu recebe de Clara uma laranja. O fruto terá o peso simbólico do Mundo, da missão de Irineu, conforme relatos: “Ele olhou na cabeça dela e tinha uma lua nova, e em cima da lua tinha uma águia. E assim ele compreendeu que Clara é a luz. A águia na cabeça dela é a guia”. Eis a origem do símbolo do Santo Daime: uma estrela de seis pontas que envolve uma meia-lua, onde pousa uma águia de asas abertas.

Clara, a guia espiritual de Irineu, seria a responsável por induzi-lo a se alfabetizare, em seguida, a abandonar o trabalho como regatão. Irineu permanecia longos períodos na mata em isolamento rigoroso, se alimentando só de mandioca. Em 1917, fundava com os irmãos Costao Círculo de Regeneração e Fé, pilar da igreja do Santo Daime.

Como acontece com todas as religiões nascentes, esta também foi perseguida. Os religiosos faziam reuniões itinerantes por cidades do Acre, Peru e Bolívia – a maior parte dos primeiros seguidores era de homens negros maranhenses e mestiços de negros e indígenas amazônicos. A polícia dispersava essas reuniões, vistas pelas autoridades como agremiações de negros curandeiros, usuários de “substâncias venenosas”.

Nascido de um cruzamento entre misticismos cristãos e vegetalistas, o daimismo adquiriu feições espiritualistas. Nas sessões recebiam-se comunicações de entidades como Rainha da Floresta, Príncipe Aristomundos, Marechal Grujirião, Princesa Tremira, Rainha Delatada da Floresta, Rei Titango, Rei Tituma e Rei Agarrube. Aos títulos nobiliárquicos acrescentavam-se patentes do Exército, com muitos generais e marechais. Os reis lembram certas figuras do tambor de mina maranhense e podem ainda ser relacionados a cultos afro mais antigos, como os reisados negros e o maracatu. No teatro mágico da ayahuasca, ao usar tais títulos da nobreza, os descendentes de escravos ascendiam não só espiritual, mas também socialmente.

A iniciação ayahuasqueira de Irineu e seu ingresso no CRF tornaram-no alvo da perseguição que a polícia movia contra a “feitiçaria”. Curiosamente, anos depois Irineu abandonaria o CRF e a primeira mulher, Emília Rosa, indo viver em Rio Branco, onde se tornaria… um policial.

Em 1920, aos 29 anos,retornava ao mundo militar, que não só amoldaria sua perspectiva de mundo como a própria cultura daimista. Na força policial fez amigos a quem apresentou com a ayahuasca – o mais conhecido foi o cearense Manuel Fontenele, futuramente governador do Acre. Donde se percebe que, mesmo periférico, sincrético e perigoso à ordem católica dominante, o daimismo, como qualquer religião, aproximava-se do poder.

ensaio fotográfico Ayahuasca (2013-2014), de Márcio Vasconcelos, realizado durante o Festival Ecumênico Estrela Brilhante, em São Luis (MA) (Foto: Cortesia do artista)

Psicodrama psicodélico
Foi em 26 de maio de 1930 que Irineu realizou a primeira sessão aberta de daime, em um terreno conquistado por meio de suas conexões com o governo acriano, na região de Alto Santo. A sessão começava com um “chamado”, melodia cantada ou assobiada que quase sempre convocava uma entidade de nome africano ou indígena. Foi uma valorizaçãoincomum dessas culturas, muito estigmatizadas na época.

Os primeiros seguidores de Irineu foram seus colegas. Policiais e militares, sim. O propósito inicial do daimismo era a cura de doenças típicas, como malária. Os conhecimentos de Irineu abrangiam técnicas medicinais caboclas e indígenas e algum esoterismo aprendido nos tempos de CRF. Mas a terapia não se aplicava somente ao corpo, mas também à alma. De maneira análoga à dos xamãs, Irineu muitas vezes empregava o daime para provocar uma alteração de consciência que levasse o cliente a reviver intensamente a situação a partir da qual o distúrbio se originava e, nesse novo enfrentamento, superá-la, livrando-se assim do incômodo que o afligia – um psicodrama psicodélico. Trabalhando em um contexto pobre como o do Acre, carente de soluções médicas modernas, Irineu adquiriu o status de último recurso: o último curador a quem os desesperados recorriam.

Além da cura, o aspecto disciplinador é fundamental para entender a sociedade daimista em seus primeiros anos. A vida militar inspirou não só símbolos e vestimentas usados no Santo Daime, como também certo estoicismo sob a provação. Um hino seu demonstra esse valor tão arraigado na religião:

“Vou chamar os meus irmãos/ Quem quiser venha escutar/ Se ficar firme apanha/ Se correr vai sofrer mais/ Minha Mãe, minha Rainha,/ Com amor ninguém não quis./ Apanhar para obedecer/ Na estrada para seguir./ Mestre bom ninguém não quis/ Não souberam aproveitar./ Apanhar para obedecer/ Para poder acreditar./ Fica assim a disciplina,/ Quem quiser pode correr/ Se eu falar do meu irmão/ Estou sujeito a morrer”

 

Canções de ordem em meio ao caos
Quase sempre estruturados em quadrinhas de redondilhas maiores (versos de sete sílabas), os hinos são cantados em melodias diretas, em ritmo binário. De construção semelhante aos “ícaros”, cantos típicos dos cultos vegetalistas antigos do Peru, assemelham-se mais aos cantos gospel simplórios do que aos polirritmados pontos das religiões afro. No entanto, a repetição incessante de tais hinos durante a sessão também induz a um transe hipnótico e sustenta a assistência: sugerem a inconsciência propícia à miração proporcionada pela ayahuasca enquanto amarram o ouvinte em um sonoro porto seguro.

Uma faceta marcante de Irineu era a sua habilidade com a linguagem – especificamente o silêncio. Embora às vezes se dizia que fosse homem de raras palavras, um mestre do silêncio, existem muitos relatos de momentos em que dominava as conversas com o desfiar de histórias quilométricas. Usando as palavras a seu modo, muitas em desacordo com a norma culta, criou um dialeto próprio, de forte impacto, dotado de um léxico específico, fórmulas, estereótipos e formas de argumentação. O mesmo se dava com as letras de seu hinário. A ambiguidade poética das letras reforçava sua predominância sobre a comunidade: ao engendrar múltiplas interpretações, mascarava diferenças e divergências de interesses.

O hinário O Cruzeiro, de Irineu, é o modelo de referência textual e melódica para os daimistas: contém 129 hinos. A construção do pensamento de Mestre Irineu foi codificada em tais hinos, portanto, O Cruzeiro é visto pelos seguidores como “livro sagrado”, fundamento da religião. Lá constariam todos os códigos morais e sociais a serem cumpridos.

Aos oito anos de fundação do centro de Daime, começou uma nova fase nos rituais. Irineu introduziu o símbolo central do daime, a Cruz de Caravaca (uma cruz de dois braços), o uso de fardas e um novo formato de ritual para as sessões de festejos: o “Baile”. Além dos hinários e das celebrações em datas de feriados cristãos, outros rituais foram introduzidos, aproximando o daimismo da religião católica: batismos e missas. A conciliação política de Irineu estendia-se a outros cultos: ele foi também participante do Círculo Esotérico Comunhão do Pensamento e da Ordem Rosa-Cruz.

ensaio fotográfico Ayahuasca (2013-2014), de Márcio Vasconcelos, realizado durante o Festival Ecumênico Estrela Brilhante, em São Luis (MA) (Foto: Cortesia do artista)

Sincretismos afro e branqueamento: a conciliação dos contrários
Em 1956, Irineu casou-se pela terceira vez e viajou ao Maranhão, para onde nunca havia voltado. Muitos dos vínculos com as tradições afro-maranhenses podem ter se dado através do tambor de crioula, sem desconsiderar o Baile de São Gonçalo e o Bumba Meu Boi. Afinal, foi logo depois de um tambor de crioula, do qual teria participado em São Vicente Ferrer, no começo do século 20, que o jovem Irineu rumou para o Acre. E há quem diga que ele tenha sido frequentador do tambor de mina. Apesar do pouco espaço existente na doutrina para os transes de incorporação, típicos nas manifestações afro-maranhenses, existe a “irradiação”, termo empregado para certo tipo de transe em que o sujeito não perde completamente a noção de si ou a memória do ocorrido durante a miração.

O Alto Santo era muito longe de Rio Branco. Quem chegava via as maiores autoridades do Acre fazendo reverência a Irineu, pedindo a bênção. Via aquele homem tão grande, negro, com a mão enorme, que pegava e engolia a mão de todos, fazendo as maiores autoridades do Estado se curvarem diante de dele. Deputados, políticos, vereadores, governadores. Hoje Irineu segue vivo na memória de Rio Branco: é nome de bairro, museu, avenida, rua, área de proteção ambiental, linha de ônibus…

Grande conciliador, nunca se filiou a nenhum movimento negro, sempre se aliou aos governos de situação, não combateu a ditadura e tampouco emitiu comentários contra a oposição ou contra religiões rivais. Como líder religioso atribuía-se o papel do grande pai. Mas Irineu sempre se encontrava com as lideranças do governo de situação. Embora seu culto continuasse minoritário – poucos políticos tomavam o daime –, tal prestígio ajudou Irineu em sua busca por recursos da prefeitura e do governo estadual. Hoje se dá o oposto: o governo estadual capitaliza a religião daimista como valor cultural acriano de exportação. Desde que o mundo é mundo, religião é política.

ensaio fotográfico Ayahuasca (2013-2014), de Márcio Vasconcelos, realizado durante o Festival Ecumênico Estrela Brilhante, em São Luis (MA) (Foto: Cortesia do artista)

Lutar com o diabo
Durante os transes das mirações, Irineu não negava a possibilidade de um participante ser possuído por um espírito. Mas não buscava a doutrinação dos espíritos (como no kardecismo), nem estimulava a mediunidade, como na umbanda, no candomblé ou no tambor de mina. A dinâmica do daime– assim como a ayahuasca agindo sobre o corpo por meio da indução de vômitos e outras excreções– é a do expurgo da negatividade mental, da expulsão e afastamento do espírito obsessor, o “encosto”. Dinâmica semelhante às fórmulas de exorcismo dos demônios do antigo cristianismo católico ou do protestantismo neopentecostal. O daime é uma religião da ordem.

A cor negra de Irineu e da maioria de seus antigos seguidores, bem como a manutenção de ritos afro-indígenas, motivava continuadas desqualificações. Para se protegerem, a solução foi o branqueamento. Esse apagamento transparece tanto na corrosão dos ritos da origem do daimismo como em ilustrações produzidas dentro da comunidade, que retratam um Irineu mais claro, buscando suavizar sua cor e seu cabelo.

Em meados de 1970, Irineu começou a sofrer de sérios problemas de saúde, constatando-se estar doente do coração e dos rins. Pressentia seu fim próximo. Pretendendo deixar o grupo em harmonia, em preparação para sua futura ausência, imprimiu mais mudanças nas fardas e no ritual. Um dos principais elementos de seu carisma, essas mudanças eram ao mesmo tempo um recurso para reforçar a ordem, respaldar a hierarquia comunitária ou, na sua busca por legitimação social, ressaltar valores militares. O Brasil vivia uma ditadura a partir de 1964.

Irineu faleceu – ou migrou para o plano astral, tornando-se Juramidam – em 6 de julho de 1971. Foi-se à noite, de infarto do miocárdio. Uma imensa tristeza abateu-se sobre o Alto Santo. Com a morte de Mestre Irineu, começaram as rivalidades que ramificariam o Santo Daime em inúmeras outras linhagens. O conhecimento de Irineu se espalharia então como uma imensa árvore.

ensaio fotográfico Ayahuasca (2013-2014), de Márcio Vasconcelos, realizado durante o Festival Ecumênico Estrela Brilhante, em São Luis (MA) (Foto: Cortesia do artista)

Registro da miração
O fotógrafo Márcio Vasconcelos vê semelhanças entre o daime e ritos maranhenses

Autor de livros como Zeladores de Voduns do Benin ao Maranhão e Nagon Abioton, há 30 anos Márcio Vasconcelos, 63 anos, pesquisa e registra de forma ativa os batuques, cantorias, bailados e, sobretudo, o transe dos ritos maranhenses. Mas não se iniciou nos rituais afrorreligiosos nem é um consumidor frequente do daime, embora conheça a fundo a força da planta. “Iniciei uma relação com o Cicebris-MA (Centro de Iluminação Cristã Estrela Brilhante Raimundo Irineu Serra), em São Luís, quando mostrei interesse em participar das atividades e fazer um acompanhamento fotográfico dos rituais”, diz Vasconcelos à seLecT. “Seria o início de uma pesquisa mais profunda com o daime, visando percorrer outras comunidades Brasil afora e, principalmente, no estado do Acre. Acompanhei por dois anos o Festival Ecumênico realizado por eles, em que várias comunidades de outros estados são convidadas a participar, trazendo suas formas e diversidades na prática dos rituais.” Já com os terreiros afro do Maranhão a relação é bem mais profunda e longeva. Essa aproximação o levou ao Benin, onde aprofundou uma pesquisa e documentação entre a origem e o destino do culto aos voduns e a fundação da Casa das Minas, em São Luís no século19, por uma ex-Rainha do Daomé. As conexões que viu entre os rituais dos tambores de mina e os de santo daime têm a ver com música. “No daime, a predominância na marcação do ritmo é feita pelos maracás, enquanto na mina são os tambores que ditam o andamento. A repetição dos cânticos, das doutrinas e dos bailados, em forma de mantras, favorece a concentração e, consequentemente, o transe, que no caso do daime é acrescentado pelo consumo do chá e, na mina,pela incorporação das entidades espirituais”, conta.

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