Promessas de modernidade

Janaina Cesar, de Veneza

Publicado em: 23/09/2014

Categoria: Crítica, Review

A construção e a dissolução do modernismo pautam a 14ª Bienal de Arquitetura de Veneza

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Legenda: Infográfico sobre a evolução do sistema de aquecimento doméstico, em exibição na 14ª Bienal de Arquitetura de Veneza (foto: Janaina Cesar)

Uma relação insuspeita aproxima dois grandes eventos da atualidade: a 14ª Bienal de Arquitetura de Veneza e a Copa do Mundo no Brasil. Ambas reavaliam as cidades e colocam em discussão o cumprimento de promessas de modernidade. A Bienal explora a questão convidando os países membros a representarem livremente a modernidade singular de cada um deles, e a Copa, teoricamente, deveria promover soluções urbanísticas às cidades-sedes dos jogos. A Bienal absorve, adapta, nega e transforma criticamente a modernidade arquitetônica que a Copa prometeu. Por meio do tema Fundamentals, o holandês Rem Koolhaas, arquiteto, teórico e curador do evento, concentra-se na história da arquitetura para indagar o presente e imaginar o futuro.

A Bienal desmembra-se em três exposições: Absorvendo a Modernidade 1914-2014, é uma mostra das representações nacionais, em que participam 65 países, 11 pela primeira vez. A mostra concentra-se nas características nacionais formatadas no século 19, que foram dissolvidas em uma linguagem universal globalizada da arquitetura. Muito interessante e didática a participação brasileira. Seguindo o tema Modernidade e Tradição, André Corrêa do Lago, curador da mostra, procurou uma identidade nacional por intermédio da arquitetura moderna. Antropologicamente, ele usou o olhar do índio, passando pelo barroco, para ver como tudo isso se integrou no modernismo.

O segundo módulo, Elementos da Arquitetura, coloca em evidência os itens básicos de uma construção, como pisos, paredes, escadas, portas, trincos, janelas etc. É curioso observar a história desses elementos, que, apesar de necessários, são sempre deixados em segundo plano. Uma das salas mais interessantes é a dedicada aos terraços dos edifícios das grandes cidades, traçando relações identificativas entre o terraço do papa, do político ou do cidadão. Já a mostra Monditalia é voltada à Itália. Nela Koolhaas analisa os aspectos políticos e culturais do país e introduz os outros “braços” da Bienal, integrando-a com as mostras de arte, de cinema, de dança contemporânea e de música. Pode-se dizer que esta é uma Bienal dentro da Bienal.

*Review publicado originalmente na edição #19

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