Quanto mais Themônia, melhor

Movimento de montação surgido em Belém do Pará subverte a normatividade da arte drag queen

Da redação

Publicado em: 31/03/2021

Categoria: Destaque, Rádio Celeste

Foi em Belém do Pará, por volta de 2012, em torno do coletivo independente Noite Suja, responsável por promover festas e debates, que surgiu um movimento de montação com integrantes que se tornaram conhecidas por Themônias. E é sobre esse grupo, que transforma a precariedade em fantasia, criando novas identidades e linguagens, que o terceiro episódio de celeste, podcast da revista seLecT, se detém. 

O nome faz referência a uma atitude recorrente na comunidade LGBTQIA+: apropriar-se de termos que surgem como ofensa para usá-los como forma de empoderamento e autoafirmação. Crítica às drags que se produziam com baixo orçamento, a palavra demônia teve o início de sua grafia alterada para the, em inglês, uma forma de promover autocrítica, com bastante ironia, sobre colonialismos norte-americanos no presente. 

Naquele momento, a competição norte-americana Rupaul’s Drag Race disseminava-se em Belém, criando um contraste de infraestrutura entre os dois contextos. Mas, na falta de veludo, as Themônias fazem vestidos de sacolas plásticas; sem maquiagem, usam plantas para se pintar, com cílios que são feitos de papel.

Narrado por Shayra Brotero, formada em letras e pesquisadora das linguagens de guerrilha transLGB, o podcast conta com relatos das artistas Uhura Bqueer e Brigite Liberté. Inserções de Xirley Tão, Dzi Vedette, Vanessa Valmont, Coytada, Mia Juda e Sarita Themônia completam o quadro e mostram experimentações com a voz e a linguagem. Neste episódio, Leandro Muniz realiza as entrevistas e produção; Nina Rahe assina a coordenação de produção e roteiro; e Meno Del Picchia é responsável pelo roteiro, produção musical, finalização de áudio e locução. A identidade visual foi criada por Ricardo Van Steen, com design de Nina Lins, e a direção editorial é de Paula Alzugaray. 

Em complemento à celeste, a edição 50 da seLecT, com lançamento em abril, também traz o texto Themônias: montação e ativismo LGBTQIA+ na Amazônia, de Rafael Bqueer. Não deixe de conferir!

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