Residência concorrida

Conheça mais sobre os dez indicados ao Prêmio SP-Arte/ICCo, que terá os dois ganhadores revelados na próxima quinta (7/4), durante a feira

Luciana Pareja Norbiato

Publicado em: 05/04/2016

Categoria: Da Hora, Mercado de Arte

Fernanda Feitosa (ao fundo), diretora da SP-Arte, e Regina Pinho de Almeida, presidente do ICCo

O Instituto de Cultura Contemporânea – ICCo e a SP-Arte já sabem dentre quais dez artistas vão escolher os dois felizardos que participarão de residências no Flora Ars+Natura (Colômbia) e na Residency Unlimited (NY). Um dos projetos de residência do ICCo, a bolsa é realizada em parceria a feira e traz como finalistas André Komatsu (Galeria Vermelho), Bruno Baptistelli (Galeria Pilar), Celina Portella (Galeria Inox), Daniel Lie (Casa Triângulo), Gustavo Speridião (Galeria Superfície), Jaime Lauriano (Galeria Leme), Laura Belém (Galeria Luisa Strina), Mabe Bethônico (Celma Albuquerque Galeria de Arte), Marcelo Moscheta (Galeria Vermelho), e Túlio Pinto (Baró Galeria). Eles foram pinçados entre 75 inscritos de 30 galerias.

O anúncio dos dois vencedores sai durante a SP-Arte – na quinta (7/4), às 19h -, mas seLecT faz um who’s who dos finalistas:

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André Komatsu

O paulistano nascido em 1978 apropria-se de elementos urbanos e do consumo de massa para construir tensões entre os parâmetros regulatórios da sociedade contemporânea. Muros, sinalizações, embalagens de produtos reduzidas ao minimalismo e a redução da imagem do artista à sua vestimenta estão entre estratégias de trabalhos de Komatsu. Ao lado de Antonio Manuel e Berna Reale, foi um dos três escolhidos para representar o Brasil na Bienal de Veneza do ano passado. Nome consagrado dos anos 1990/2000, tem trabalhos em coleções de instituições como o MoMA (NY), o Bronx Museum (NY), a Fundação Serralves (Porto), a Pinacoteca do Estado (SP) e a Tate Modern (Londres).

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Bruno Baptistelli

Nascido em 1985 e graduado em visuais pela Unicamp, o jovem artista paulistano incorpora lixo a elementos arquitetônicos em suas instalações, mas também lança mão da pintura em sua produção. Por meio de seus trabalhos, entulhos do espaço urbano, que normalmente são considerados sobressalentes, são ressignificados por meio da ordenação. É essa inversão do descarte em arte que confere a potência de sua obra, que dá novo sentido ao que comumente não notamos nas ruas.  Ganhou o Prêmio Funarte de Artes Visuais de 2014.

celina portella

Celina Portella

Quem já viu trabalhos em que a moça do vídeo apresentado no monitor empurra o espaço em que está contida para cima e para baixo, ou para os lados? O corpo no espaço e suas possibilidades dão a tônica do trabalho da artista carioca nascida em 1977. Indicada ao Prêmio Pipa 2013, cursou Design na PUC-RJ e graduou-se em artes plásticas na Université Paris VIII em 2001, o que explica a conformação metalinguística e multimídia de seu trabalho.

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Daniel Lie

Performático, como seLecT mostrou em matéria da edição dedicada ao tema, o paulistano nascido em 1988 faz parte do time dos novinhos, mas já tem trabalhos de peso para mostrar. Na última edição do ArtePará, fez uma performance-banquete na abertura, em que as frutas e vegetais que sobraram apodreceram ao longo da mostra. Ligado em energias holísticas, cristais e a relação mística entre homem e natureza, traz esses elementos tanto para instalações com plantas cultivadas em plásticos suspensos no teto, com na intervenção realizada em 2015 no Centro Cultural São Paulo, quanto em seu visual, entre o tribal e o andrógino.

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Gustavo Speridião

Mestre em Linguagens visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ (PPGAV-UFRJ, 2007), o carioca de 1978 usa diversas mídias para expressar a urgência das ruas e da vida contemporânea. Desenhos, colagens, pinturas, instalações, esculturas, fotografias e vídeo são marcados por justaposições de signos com ironia e humor, captando as nuances da cultura da atualidade. Suas obras estão em instituições e coleções como o MAR, MAC – Niterói, Gilberto Chateaubriand – MAM Rio e Museu Nacional de Belas-Artes.

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Jaime Lauriano

A herança escravocrata e colonialista do Brasil é investigada com elegância e contundência pelo paulistano nascido em 1985. Utilizando instalações, esculturas e desenhos para abordar as premissas territoriais, étnicas e políticas do país, foi um dos artistas escolhidos pela Pinacoteca do Estado para ter obras doadas ao acervo da instituição na edição de 2015 da SP-Arte. Um dos selecionados pelo Paço das Artes para sua Temporada de Projetos 2016, tem trabalhos também no acervo do MAR.

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Laura Belém

Das mais conhecidas do grupo, a belo-horizontina nascida em 1974 é Mestre em Belas-Artes pela Central Saint-Martin School, de Londres. Com forte apelo filosófico, sua obra inclui instalações de grande porte, como Anekdota, em que trouxe para dentro da Capela do Morumbi (SP) sua vegetação externa, como na consagração da natureza sobre a cultura. Vídeos, esculturas e gravuras extraem delicadeza por meio da síntese de relações presentes no mundo.

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Mabe Bethônico

Veterana entre os selecionados, a artista nasceu em 1966 em Belo Horizonte. Foi uma das indicadas ao Prêmio Pipa 2012 e é Mestre pelo Royal College of Art, de Londres. Trabalhando com a síntese dos universos da informação e da documentação, questiona a normatividade instituída e o conceito de verdade por meio de circuitos que começam na internet, prosseguem em instalações que sofrem interferências da artista e do público e, finalmente, voltam à internet transformados. Já expôs em países como Brasil, França, Colômbia e Genebra, entre outros.

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Marcelo Moscheta

Nascido em 1976 em São José do Rio Preto (SP), Moscheta é um misto de arqueólogo e explorador ficcional – mas não totalmente. Partindo de viagens a lugares inóspitos que realiza de fato, o artista cria instalações que tentam localizar geograficamente artefatos e elementos que ele traz desses locais, por meio de desenhos e fotos. Criando um ambiente entre real e inventado, dessacraliza o conceito de memória. Seus trabalhos estão em instituições e coleções como Deutsche Bank, Pinacoteca do Estado, Instituto Figueiredo Ferraz e Casa de las Americas (Cuba), entre outros.

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Túlio Pinto

O brasiliense nascido em 1974 foi morar em Porto Alegre para produzir suas esculturas, em que o equilíbrio entre as peças é conseguido por encaixes e sustentações entre peças opostas, como sólidos geométricos sobre estruturas vazadas. As diferentes matérias-primas, como vidro, aço, areia, madeira e mármore, colaboram para criar a sensação de oposição e instabilidade. Já expôs no Canadá, Inglaterra, Uruguai e Argentina, entre outros países, além de diversas cidades do Brasil.

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