(Re)ver a cidade

Mostra URBE ocupa o bairro do Bom Retiro com trabalhos dos artistas Anaisa Franco, Guto Requena e Iara Freiberg até 27/11

Ana Abril e Felipe Stoffa

Publicado em: 13/11/2016

Categoria: Da Hora, Destaque, Notícias Quentes

Me Conta um Segredo, projeto do arquiteto Guto Requena (Fotos: Divulgação)

A cidade como território de disputa, conflitos sociais e urbanos é o marco para três instalações que ocupam o bairro do Bom Retiro. Em sua segunda edição, a mostra URBE de Arte pública investiga os territórios da metrópole e propõe intervenções que dialoguem com a memória do local escolhido e com o público que transita cotidianamente e habita o distrito.

No século 19, a região onde se situa o atual bairro do Bom Retiro era formada por chácaras e sítios, nas mediações do rio Tietê. Com o surgimento da estrada de ferro São Paulo Railway, em meados de 1867, a zona começou a receber alta concentração de passageiros e abrigou alguns pontos de hospedaria. Desde a segunda guerra mundial, diversos imigrantes europeus começaram a construir suas habitações e, até hoje, o bairro é conhecido como território de fábricas de tecidos e um importante ponto da comunidade judaica.

Com uma forte carga histórica, o local é uma cicatriz aberta que expõe as diversas transformações urbanas que São Paulo sofreu ao longo dos anos. Essa memória viva auxiliou o recorte dos curadores Alessandra Marder, Felipe Brait e Reinaldo Botelho, que selecionaram os artistas Anaisa Franco, Guto Requena e Iara Freiberg. Os três apresentam trabalhos que estimulam a atenção do público e exploram as relações sociais com a proposta de reviver a memória do lugar ou formular novos modos de diálogo.

Projeto para Doce Reflexão, de Anaisa Franco (Imagem: Divulgação)

Projeto para Doce Reflexão, de Anaisa Franco

Anaisa Franco apresenta sua instalação interativa Doce Reflexão, um casulo de madeira no meio da Rua Partes que trabalha a partir de um diálogo com o grupo de pessoas que passa pelo local. Uma experiência antropofágica, como ela prefere dizer, em estilo high-tech, permite com que a face do rosto do público seja escaneada por meio de um aparato digital. No final do processo, uma panqueca ou uma figura de chocolate é gerada com o semblante estampado. Assim, o dono do retrato pode apreciar gratuitamente uma pequena refeição, e acaba por comer a si mesmo.

Na Praça Coronel Fernando Prestes, o arquiteto e urbanista Guto Requena apresenta um conjunto híbrido de obra mobiliário com som e luz. Esse trabalho, que necessita do público para ser ativado, dá continuidade às pesquisas de Requena sobre as fronteiras entre design, arquitetura e urbanismo. A partir de um segredo confessado pelo público que atravessa o local, o depoimento é gravado de maneira anônima e se transforma em um jogo de som e luz.

A partir de manchas em tinta vinil preta, Iara Freiberg abre suas intervenções em distintas fachadas de edifícios ao longo das Ruas Graça, Silva Pinto e Areal. Com o título Flutuação, o trabalho é um exercício que explora volumes concentrados em torno da paisagem urbana. Dessa forma, os participantes podem se deslocar pelo bairro escolhendo seus percursos e tendo diferentes experiências visuais estimuladas pelas flutuações nas fachadas.

Um exercício para redescobrir o bairro do Bom Retiro, a mostra URBE pretende encantar moradores e visitantes até 27/11.

Projeto para Flutuação, de Iara Freiberg (Foto: Divulgação)

Projeto para Flutuação, de Iara Freiberg

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