A rotina como entorpecente

A exposição de Angella Conte, Terra Nua, mostra trabalhos em diferentes suportes, alguns inéditos e outros que narram a trajetória da artista

Ana Abril
Testemunho (2009), de Angella​ Conte (Fotos: Divulgação)

O dia-a-dia é, na visão de Angella Conte, uma perda constante do extraordinário. Os gestos repetitivos e as atividades cotidianas emperram os sentidos e a memória e fortalecem a indiferença. Sobre isso e sobre a deriva, a ficção e a realidade disserta a exposição Terra Nua, que ocupa os dois espaços expositivos da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Ocupando uma sala inteira, a instalação Ir e Vir é uma tentativa da artista paulistana de repassar a rotina para evitar que nada lhe escape. Formado por 15 vídeos, o trabalho é um registro de deslocamentos, no qual distância, meio de transporte, lugar, ângulo e perspectiva são as variáveis. Em Deslocamento XI, o visitante se questiona se a artista está filmando ou está sendo filmada enquanto caminha por uma ponte.

(Fotos: Divulgação)

Instalação Ir e Vir (2010), de Angella Conte 

Conte não só revisa a rotina mais recente, mas também ressignifica suas memórias ou as dos seus antepassados. Exemplo disso é Precisou ser Outros, um pequeno baú engaiolado, que remete à chegada da família da artista ao Brasil. Seu avô, de origem italiana, descobriu, ao desembarcar, que o baú com todos os pertences tinha desaparecido, deixando a família na confrontação solitária de uma nova realidade.

A artista protagoniza várias obras, com o intuito de se colocar no lugar do outro e de imaginar a relação que os objetos tiveram com outras pessoas ao longo da história. “No caso da série Autorretrato (2009), Conte evidencia o enigma das próprias imagens, nossas transformações como pátinas sucessivas e cujo rosto atual é apenas a camada mais recente”, escreve Agnaldo Farias, curador da exposição. Objetos, desenhos, pinturas, esculturas, fotografias, vídeos e instalações formam Terra Nua, que celebra os 20 anos de produção de Angella Conte com trabalhos que narram sua trajetória e obras inéditas exibidas pela primeira vez.

Serviço
Terra Nua, de Angella Conte
Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 – São Paulo
www.oficinasculturais.org.br

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