Rua Marielle Franco

A edição #42 da seLecT é uma incitação à ação. Elegemos o sufixo ação, de Mobilização. Manifestação.

Paula Alzugaray
Detalhe de Mi Linaje de la Resistencia Ambiental (2018), de Carolina Caycedo (Foto: Cortesia da Artista)

Ação. Rio de Janeiro, 4 de março de 2019. Chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês. No samba-enredo do Carnaval 2019, a Estação Primeira de Mangueira canta outra versão da história brasileira. Abdica dos descobridores da narrativa eurocêntrica e afirma: “Desde 1500/ tem mais invasão do que descobrimento/ tem sangue retinto pisado/ atrás do herói emoldurado”.  A escola de samba (cujo presidente, Chiquinho da Mangueira, foi alvo da Lava Jato e preso em novembro passado) nomeia seus heróis, líderes populares negros dignos de figurar em livros escolares e placas de rua: Zumbi, Dandara, Luiza Mahin, Maria Felipa e Marielle Franco.

Ação. Berlim, 15 de fevereiro de 2019. Wagner Moura apresenta no Festival de Berlim seu longa-metragem Marighella. Diante das câmeras da imprensa mundial, segura cartaz que simula a placa de rua com o nome da vereadora Marielle Franco.

Em 14 de março, o assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes completa um ano. Até o fechamento desta edição, em 18/2, não havia respostas sobre a autoria do crime. Ainda longe de um esclarecimento, tivemos a divulgação pela imprensa de que Flávio Bolsonaro empregava em seu gabinete da Assembléia Legislativa do Rio a mãe e a mulher de um dos líderes do Escritório do Crime, grupo miliciano suspeito de envolvimento no assassinato.

Quando as autoridades brasileiras não assumem responsabilidades, a sociedade deve agir. Quando a impunidade rege e comanda a orquestra das tragédias nacionais (RIP Ricardo Boechat), é preciso agir. A edição #42 da seLecT é uma incitação à ação. Elegemos o sufixo ação, de Mobilização. Manifestação.

Ação em defesa dos direitos humanos, dos direitos ambientais, dos direitos das mulheres, dos direitos indígenas, dos negros, das pessoas LGBT+, dos professores, da liberdade de pensar e de expressar, da cultura, da diversidade e da felicidade. Nas páginas desta edição se somam as ações de Wagner Schwartz, Jaime Lauriano, Carolina Caycedo, Yael Bartana, Pieta Poeta, Tania Bruguera, José Rufino, o coletivo És uma Maluca, Nan Goldin e o coletivo PAIN, Marcos Chaves, Maria Montero, Christian Dunker, André Singer, Fernando Rugitsky, Márcia Fortes, Rosa Iavelberg, Ana Mae Barbosa, Carlos Rittl, Moises Patricio, Ailton Krenak, Jonas Maria, Céli Regina Jardim Pinto, Mariana Lacerda, Peter Pál Pelbart, Denise Adams e Odaraya Mello, entre tantas vozes manifestas.

Mobilize-se.

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