Rumos selecionados

Itaú Cultural anuncia os 117 trabalhos selecionados no Rumos, destacando os projetos com temáticas sociais

Ana Abril

Publicado em: 09/05/2016

Categoria: Da Hora, Notícias Quentes

Anúncio dos selecionados do Rumos 2015-2016. Da esquerda para a direita: Karla Martins, Eduardo Saron, Aninha de Fátima e Jeferson De (Fotos: Paula Alzugaray)

A diversidade dos selecionados é o destaque do Rumos 2015-2016, o principal programa do Itaú Cultural para o fomento da produção artística brasileira. Na sua 17ª edição, o programa selecionou 117 trabalhos após a análise de mais de 12 mil peças inscritas. “A seleção não se baseou em cotas, mas na qualidade e representatividade das propostas”, afirma Aninha de Fátima, gerente de comunicação do evento. Para ela, a questão das temáticas sociais apareceu de forma natural e se tornou o foco dos trabalhos.

Além disso, o espaço para a inovação também foi uma das preocupações da Comissão Selecionadora. Quase um em cada quatro selecionados nunca tiveram contato com um edital anteriormente. O principal motivo para isso é o Rumos, ao contrário dos editais convencionais, não pedir um histórico ou experiência artística prévia.

Nesta edição, os projetos que discutem a questão racial e de gênero serão os mais abundantes. Entre os trabalhos escolhidos, 11 giram em torno da temática racial e outros três da transexual. Além disso, as temáticas indígena, cigana, feminista e de outras minorias também se fazem presentes.

Um dos principais destaques é o curta-metragem documentário Luma, de Camele Lyra. A obra audiovisual fala sobre o reencontro, após 27 anos, entre a realizadora e seu tio Roniel, agora Tia Luma, que se tornou travesti e vive em São Paulo.

O cineasta negro Jeferson De, que faz parte da Comissão Selecionadora deste ano, frisou a importância da representatividade do Rumos. “Nós [negros] não queremos estar só entre os contemplados, queremos discutir os processos. Essa participação significativa dos negros e negras no Rumos serve de parâmetro para as políticas públicas do País e para outras instituições privadas”, destacou. Nesta temática, o documentário sobre a atriz Ruth de Souza, realizado por Juliana Vicente, foi um dos mais aclamados.

Jeferson De no anúncio dos selecionados do Rumos 2015-2016 (Fotos: Paula y)

Jeferson De no anúncio dos selecionados do Rumos 2015-2016

A atriz Karla Martins (Acre), que também participou da Comissão de Seleção, destacou a relevância dos projetos culturais para a atual discussão política e social brasileira. A atriz também ressaltou o dever de fomentar a divulgação do Rumos nas regiões Norte e Nordeste. Apesar de a região Nordeste ser a segunda com mais selecionados (23,08%), o Norte ficou com menor representatividade (7,69%), mas acima do Sul (6,84%) e da Argentina (0,85%, com um escolhido). Os estados de Roraima e Rondônia, por exemplo, não foram contemplados. “É muito importante difundir os projetos selecionados nessas regiões para incentivar as inscrições”, frisou Martins.

O apoio aos processos de realização dos projetos, ao invés dos resultados, foi outra surpresa. Prova disso são a seleção de residências (Capacete 7200: 20 Anos de Residência, de Capacete), de uma editora (Editora Temporária, de Clara de Souza Rocha Meliande) e de um espaço cultural (Laboratório de Estruturas Flexíveis, de Casa do Povo). Até o Mídia Circus, trabalho coordenado por Bruno Torturra, jornalista da Mídia Ninja, foi um dos escolhidos. O projeto consiste em uma estação móvel de mídia para cobrir e transmitir ao vivo as novas manifestações socioculturais na retomada do espaço público.

O único projeto estrangeiro, o argentino A Tríplice Fronteira – La Triple Frontera/Ivy Maraey, de Diego Angeli Sousa, consiste em uma obra de literatura dramática escrita em guaraní e que tem como cenário a região de fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Ao mesmo tempo, diversos projetos brasileiros com impacto em outros países e projetos híbridos ou de autores estrangeiros tiveram incentivo. Este ano, o critério para a escolha de projetos estrangeiros foi “abordar a temática brasileira”, explicou Fátima. “O Brasil que a gente não enxerga faz parte desta edição”.

Pelo desejo de lançar luz sobre realidades invisíveis aos brasileiros, as chamadas “comunidades isoladas” têm especial destaque. O melhor representante desta categoria é o projeto Calins, de Puksarfilmes, cuja história diz respeito à única comunidade cigana no Brasil liderada por mulheres.

Por sua diversidade e abrangência, o Rumos tem ganhado um espaço de protagonismo no que tange as ações de fomento cultural e artístico no Brasil. “O Rumos está mostrando que o belo é a diversidade e não necessariamente a inovação”, afirmou Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural.

Confira no site do Rumos.

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