Santa Helena 80 anos

Exposição na Galeria ProArte homenageia a produção do grupo modernista

Felipe Stoffa

Publicado em: 16/05/2016

Categoria: Da Hora

Alfredo Rizzotti - Rua de Santo Amaro (Imagem: Divulgação)

No terreno que deu origem à estação de metrô e a atual praça da Sé, foi inaugurado, no ano de 1925, o edifício Palacete Santa Helena, destinado ao aluguel de salas para profissionais liberais e escritórios empresariais. A baixa taxa de ocupação do edifício e a consequente queda nos aluguéis atraiu outro tipo de trabalhador ao prédio: artistas visuais, que fundaram o famoso Grupo Santa Helena, um dos responsáveis pela consolidação do modernismo em SP.

Formado por Francisco Rebolo, Mário Zanini, Manoel Martins, Fulvio Pennacchi, Aldo Bonadei, Clóvis Graciano, Alfredo Volpi, Humberto Rosa e Alfredo Rizzotti, o grupo, em sua maioria, ganhava a vida atuando como pequenos artesãos e pintores decorativos, o que se refletia na característica artesanal de suas pinturas.

Aldo Bonadei - Paisagem (Imagem: Divulgação)

Aldo Bonadei – Paisagem (Imagem: Divulgação)

Em homenagem aos 80 anos da produção dos artistas, a galeria ProArte inaugura exposição em comemoração de suas trajetórias. Com 63 obras, a mostra reúne cerca de sete pinturas de cada artista, com curadoria assinada pelo crítico Enock Sacramento. “Os santelenistas ocuparam uma posição curiosa no contexto da arte brasileira de então. Eram considerados modernos pelos acadêmicos e acadêmicos pelos modernos. Na verdade, eram pintores que valorizavam o métier, a boa técnica da pintura, mostrando-se sensíveis às ideias da volta à ordem preconizada pela arte do novecento italiano”, explica Sacramento.

Humberto Rosa - Ubatuba (Imagem: Divulgação)

Humberto Rosa – Ubatuba (Imagem: Divulgação)

A produção do grupo era concentrada na pintura de paisagens, no limite entre o campo e a cidade. Em um texto sobre Clóvis Graciano, Mário de Andrade lança a tese de que a plástica do grupo tinha como ponto principal a origem proletária ou da pequena burguesia. Enock Sacramento completa: “Tinham prazer em recriar, cada um a seu modo, paisagens urbanas e suburbanas e a vida cotidiana das populações que viviam na periferia da cidade grande. Também apreciavam pintar naturezas mortas e fazer retratos, com exceção de Volpi, que não se autorretratou”.

No final da década de 1930, o grupo começa a se dissolver. Dali para frente, Volpi foi um dos artistas que mais se destacou em sua carreira individual. A exposição também traz ao público uma oportunidade para revermos os trabalhos destes pintores, que embora se organizassem em um grupo de artistas, possuíam trajetórias singulares.

Mário Zanini - Regata no Tietê (Imagem: Divulgação)

Mário Zanini – Regata no Tietê (Imagem: Divulgação)

Serviço
ProArte Galeria
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1644, Jardim América, São Paulo
De 10 de maio a 18 de junho
De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 16h
Tel.: (11) 3085 7488

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