São Paulo, Terra Indígena

Em decorrência da tão esperada abertura do MCI, disponibilizamos o texto da seção Em Construção, publicado na edição 54

Luana Rosiello

N° Edição: 54

Publicado em: 01/07/2022

Categoria: A Revista, Destaque, Em Construção

Grafismo de Onça Protetora da artista e ativista Tamikuā Txihi na empena do edifício do MCI [Foto: Divulgação]

A cidade está prestes a receber um novo espaço cultural, dedicado à retomada de território pela arte. Localizado ao lado do Parque da Água Branca, o Museu das Culturas Indígenas ainda nem abriu as portas, mas já começa a modificar a paisagem ao seu redor, com murais representando onças e grafismos Guarani. Trata-se da Ocupação Decoloniza, do coletivo SP Terra Indígena, mostra de inauguração do MCI que toma os muros e empenas da área externa da instituição, demarcando o terreno do novo museu e comunicando sua missão de retomada de território na contemporaneidade.

A gestão do museu, criado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, é realizada pela parceria entre a Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari e o Instituto Maracá, organização sem fins lucrativos que tem como finalidade a proteção, difusão e valorização do patrimônio cultural dos povos originários. O Museu das Culturas Indígenas está sendo pensado a partir de novos parâmetros do que pode ser uma instituição de arte, desde a gestão compartilhada até a construção de seus conceitos ao longo do tempo, por meio da experiência e com o objetivo de fortalecer e ampliar o protagonismo indígena em todas as etapas, dimensões e aspectos do trabalho a ser desenvolvido. O artista Denilson Baniwa compõe a Comissão Artística e Curatorial do MCI, ao lado de Tamikuã Txihi, Xadalu Tupã Jekupé, Gustavo Caboco e Aislan Pankararu, artistas que preparam as exposições inaugurais para o espaço.

Xadalu Tupã Jekupé está montando a mostra Invasão Colonial ‘Yvy Opata’ − A Terra Vai Acabar (2022), que demarca os deslocamentos e denuncia a ameaça constante do território indígena na cidade de Porto Alegre. Para os criadores e ativistas envolvidos no projeto, o museu simboliza uma conquista dos povos indígenas em preservar a memória e a ancestralidade, informando sobre a construção de um projeto de futuro para todos, em que se possa compartilhar mensagens, ideias, saberes, conhecimentos, filosofias, músicas, artes e histórias.

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