Se meu scanner falasse

O fotógrafo Guilherme Maranhão libera o scanner da função de cópia e realiza fotos da cidade de São Paulo com o dispositivo

Nina Gazire

Publicado em: 26/08/2011

Categoria: Da Hora

Imagem da série Pluracidades na qual o artista registra a paisagem com scanners modificados

Desde 2003, munido de um laptop e um scanner modificado, o fotógrafo Guilherme Maranhão vem se dedicando a registrar diferentes paisagens da cidade. O princípio é simples. Em tese, todo scanner é uma máquina fotográfica digital, porém adaptada para reproduzir a imagem de objetos imóveis e bidimensionais, como o papel. Maranhão modificou o dispositivo e transformou-o em uma máquina de captura de imagens em movimento. O processo de criação do artista passa por diferentes etapas, que vão desde a reciclagem de equipamentos velhos à criação de novas interfaces para o computador. Primeiro, o scanner é desmontado. Da caixa plástica coberta pelo vidro é retirada a parte que realiza a captação da imagem. O segundo passo é enganar o sistema operacional do computador para que ele não entenda que o aparelho modificado é defeituoso. Por último, o scanner tem sua lente alterada para focar objetos que estejam a longa distância, dando profundidade às fotos.

O equipamento também tem sua fonte de energia modificada para ser alimentada por uma bateria. Isso permite mobilidade e que o aparelho seja transportado para diferentes lugares. “O scanner é uma câmera digital aprisionada dentro de uma caixa de plástico. O que eu fiz foi libertá-lo para fazer outro tipo de fotografia que não fosse apenas a cópia do documento de papel”, explica o fotógrafo. Fotos do artista criadas com esse tipo de processo podem ser vistas, até 12 de junho, na mostra Geração 00: a Nova Fotografia Brasileira, no Sesc- Belenzinho, em São Paulo.

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