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Modelo de negócio colaborativo da plataforma Blombô apresenta convergência de serviços on line e aponta para o futuro do mercado de arte

Paula Alzugaray
Alejandro Lloret vende a fotografia Primavera III (2016), na seção Ateliê

Se a feira de arte foi o negócio do início do século, as plataformas de compra e venda de obras de arte on line se redesenham e se aparelham para ganhar uma importante fatia desse mercado. Os sinais dessa mudança de cenário são cada vez mais evidentes. Segundo pesquisa da Hiscox Trade On Line, publicada em 2017, o mercado de arte on line cresceu 15% em relação ao 2016, seguindo trajetória ascendente dos últimos anos.

Um dos segredos desse sucesso é o fato das plataformas on line se posicionarem como aliadas, e não rivais, dos agentes do mercado de arte tradicional: as galerias e casas de leilões. Esta é a fórmula da Blombô (www.blombo.com), plataforma brasileira idealizada pelo investidor Gustavo Ribas, da Mogno Capital Empreendimentos e Participações Ltda, e coordenada pela consultora de arte Lizandra Alvim.

A Blombô não é loja, galeria, leilão ou feira. Mas coloca-se como um marketplace que reúne todas essas capacidades em um só portal. Lançou-se ao mercado no primeiro semestre de 2017 hospedando 23 galerias parceiras, entre elas as lideres Luisa Strina, Nara Roesler e Almeida & Dale. Apropriando-se do léxico das feiras de arte, as galerias são tratadas como expositoras do marketplace. Cada expositor administra seu próprio espaço, fazendo a seleção de obras para venda on line. O modelo de negócio é atraente para os parceiros: o site fica com 6% do valor da venda e a galeria detém 94%. Além disso, o site apresenta três outras seções. Estúdio, dedicada a fotógrafos sem galeria, Ateliê, feita para artistas também sem galeria, e Coleção Privada, em que pessoas físicas podem disponibilizar obras para venda.

Expositor Carbono Galeria apresenta cartaz de Paulo Bruscky feito em 2014

 

A equalização entre o tradicional modelo de relação galeria/marchand e o modelo clique-e-compre (com pequena ou nenhuma interação entre o vendedor e o comprador) é a grande cartada da Blombô. “Colocamos no site obras que estão conosco e não temos clientes para oferecê-las; colocamos também obras que vendem em outros estados, isso está funcionando muito bem, estamos girando nosso acervo”, diz Carlos Dale, da Almeida & Dale.

“Precisamos unir forças”, diz Lizandra Alvim à seLecT. “Estamos trabalhando para a transparência e a profissionalização do mercado, exibindo os preços das obras sempre em Reais e possibilitando que obras acima de R$ 5 mil possam receber contra-propostas, atendendo a uma prática habitual do mercado tradicional”, completa a consultora que veio da Christie’s e usou as pesquisas de mercado Hiscox como base para o desenvolvimento da Blombô.

Segundo a pesquisa da Hiscox, 33% das galerias internacionais pesquisadas oferecem a seus clientes a compra e pagamento on line. Isto representa um aumento de 28% em relação ao ano anterior. Como um sinal de que essa é uma tendência irreversível, 30% dos pesquisados responderam que estão se aparelhando para operar no mercado digital em 2018. Outro indicativo de que este mercado cresce aparece é o incremento de 22%, em 2017, das preferencias por comprar on line, entre colecionadores da geração Y (25-30 anos), em relação aos 14%, de 2016.

O trabalho Lucy In the Sky (2010), de Nina Pandolfo, faz parte da seção Coleção Privada

 

Se no Brasil, as galerias ainda não possuem uma estratégia de vendas on line, a Blombô chega em boa hora. As primeiras vendas do site em 2017 refletem a abrangência de negócios: foram comercializadas obras de R$ 600 a R$ 120 mil – valor de uma pintura de Volpi vendida.

“As vendas estão crescendo, surpreendendo nossas expectativas. Hoje estamos vendendo de 2 a 3 peças por semana. Notamos que quanto mais obras e maior a variedade, mais se vende, tanto em preço quanto em característica. As vendas aumentam diretamente”, diz Carlos Dale. “Queremos aumentar nossa participação lá; em 2018 queremos dobrar o número de obras no site”.

Segundo o relatório Hiscox 2017, 31% das plataformas on line afirmam que seu maior desafio é ultrapassar a hesitação do consumidor em comprar arte sem o contato presencial com o trabalho. Mas isto parece ser um quadro em superação. “A cada dia que passa as imagens das obras estão mais fiéis, facilitando para os compradores. Acho que para ambas as partes é muito mais pratico, se gasta menos tempo, objetividade, ou seja, o futuro é esse, você rapidamente consegue atingir o Brasil inteiro, o mundo inteiro, de uma forma segura e rápida”, diz o diretor da Almeida & Dale.

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