Sob prisma carioca

Publicado em: 03/09/2015

Categoria: Entrevista, Reportagem

As relações entre a arte, o fetiche e o mundo do consumo são a base da investigação do Prisma, mostra que integra a programação da ArtRio, com obras selecionadas pela dupla Carolyn Drake e Bernardo José de Souza

Carolyn Drake E Bernardo Jose De Souza

Legenda: Carolyn Drake e Bernardo José de Souza (Foto: Leo Nova/Divulgação)

Fala Bernardo José de Souza

Curador independente, Bernardo José de Souza, gaúcho residente no Rio de Janeiro, pertence a uma geração que vive desrespeitando fronteiras (no bom sentido), entre campos de expressão, entre suportes, entre países. Seu interesse por fenômenos ligados ao uso da tecnologia, pelo vídeo e por outros elementos igualmente essenciais para a compreensão do complexo cenário das artes visuais contemporâneas colocaram-no no circuito de grandes mostras.

Souza foi um dos curadores da 9a Bienal do Mercosul, em 2013, em Porto Alegre, e também compõe, neste ano, a comissão curadora do 19º Festival de Arte Contemporânea Sesc_ Videobrasil: Panoramas do Sul. No Rio, também esteve à frente da mostra A Mão Negativa, que abriu em junho no Parque Lage. À seLecT ele falou sobre seus interesses mais recentes, dentre os quais destaca o circuito de artes da Lituânia, e também sobre a concepção do projeto Prisma.

Você esta prestando atenção em algo específico hoje?
Venho me interessando na maneira como a arte se relaciona com o tempo (passado, presente e futuro) e, mais particularmente, em como a ficção científica pode ser usada como ferramenta para discussão dos problemas políticos de nosso tempo.

Você tem interesse em alguma região do Brasil ou do mundo hoje?
A Lituânia, de onde emergiu um grupo de pessoas com o qual venho travando um interessante debate. Raimundas Malasauskas, curador, apresentou a mim alguns artistas de lá e, desde esse dia, fiquei fascinado pelo modo como pensam e fazem arte: discutem questões profundamente filosóficas, ao passo que criam obras extremamente belas, não raro dotadas de alta carga de misticismo. Há um frescor que emana de lá, uma atitude transgressora que repensa a materialidade ou invisibilidade da obra de arte. Tanto nas ações de artistas quanto de curadores. Lançam mais perguntas que respostas. Também há muito humor nessa produção.

É possível falar sobre a ideia para a curadoria do Prisma?
Trataremos de investigar como a arte se relaciona com o mundo do consumo, o fetiche, a produção de imagens e a circulação de obras de arte como commodities. Pretendemos lançar o público da feira em uma zona em suspensão, onde realidade e ficção se encontram, produzindo tensionamentos em nossa percepção do mundo, da natureza e da própria arte. Basicamente, exibiremos filmes e esculturas.

Fala Carolyn H. Drake

Curadora independente e diretora do A Tale of a Tub, espaço sem fins lucrativos em Roterdã, cujo programa estimula debates sobre arte contemporânea, a holandesa Carolyn H. Drake está atenta aos nomes que seus conterrâneos não conhecem – ainda. O trabalho de identificar talentos levaram-na, inclusive, a desenvolver o interesse pelo Brasil. Por causa da aproximação, ela será uma das curadoras do Prisma, na ArtRio. Drake também participa do conselho do Young Stedelijk, no Stedelijk Museum de Amsterdã, programa que visa estimular o contato entre jovens colecionadores e jovens artistas.

Você está atenta a algo específico no cenário contemporâneo?
No exercício de atividades curatoriais, sinto-me constantemente desafiada pelo mundo em que vivo. Estou interessada em trabalhos de artistas que utilizam ferramentas da vida cotidiana e que exploram o uso da tecnologia, bem como investigam seus efeitos na nossa sociedade. Também me interesso por movimentos da arte que tecem comentários sociais e abordam assuntos econômicos, políticos e culturais.

Tem interesse especial em alguma região do mundo?
Pela minha experiência de trabalhar no Brasil, também cresceu meu interesse pelos artistas daqui, os que conquistaram projeção internacional ou regional.

Em que formatos o Young Stedelijk está mais interessado hoje?
O Young Stedelijk dá atenção à arte no sentido mais amplo dessa palavra. O programa para os membros (jovens interessados em comprar e se informar sobre arte contemporânea) do YS é idealizado em coordenação com a programação de mostras do Stedelijk Museum.

Há vínculos desse programa com outras instituições?
Os membros são convidados a se tornar familiarizados com artistas de instituições como o Rijksakademie e De Ateliers, dois importantes institutos de pós-graduação em Amsterdã. Adicionalmente, os membros do Young Stedelijk têm a oportunidade de aprender sobre a arte de colecionar, fazendo visitas regulares a feiras internacionais que mantêm foco em arte e design moderno e contemporâneo.

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