Sul global com sotaque português

20ª edição do Festival Sesc_Videobrasil mostra o amadurecimento da plataforma criada para reconhecer a produção simbólica das margens do sistema mundial

Paula Alzugaray
Still do vídeo Faz Que Vai, da dupla Bárbara Wagner e Benjamin de Burca (Foto: Divulgação)

América Latina, Caribe, África, Oriente Médio, Oceania e alguns países da Europa e da Ásia, como Grécia e Índia, compõem o Sul geopolítico – conceito que aproxima nações em desenvolvimento –, que orienta as ações do Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil há 20 anos. Cinquenta artistas de 25 países dessas regiões foram selecionados para a mostra “Panoramas do Sul” que abriu na quarta 4, no Sesc Pompéia, em São Paulo. Segundo a equipe curatorial, eles oferecem novas visões de mundo para o momento de crise global. “Não é surpresa que uma produção desde sempre pautada pela ideia de resistência e pela vocação política floresça e se redefina em um cenário de retrocesso e incerteza”, diz a curadora-geral Solange Farkas.

A novidade deste fórum dos discursos de resistência é a assimilação de Portugal entre os países do Sul global, com trabalhos dos artistas Filipa César, Pedro Barateiro e o duo Von Calhau! “O trabalho de Von Calhau! cria um universo surreal e onírico que pode ser interpretado não apenas como vazão a outras realidades possíveis, mas como um posicionamento político”, diz o curador português João Laia, convidado para o comitê curatorial desta edição. O acento português do CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) sobressai ainda com a presença do angolano Muntu-Kuta Nolumbu, de Angola, dentro da instalação “Museu do Estrangeiro”, do cearense Ícaro Lira.

Inserido dentro do galpão de oficinas de criatividade, “Museu do Estrangeiro” é a obra de expografia mais complexa da mostra. Se, por um lado, atende ao objetivo do trabalho de constituir-se a partir de ações com o público nas oficinas, por outro ganha uma visualidade confusa, atravessada pelos elementos do espaço – que em nada se assemelha a um espaço expositivo do gênero cubo branco. Mas o resultado acaba por refletir a própria condição provisória do imigrante, em suas dificuldades de inserção aos novos contextos.

A mostra se espalha por diversos espaços – área de convivência, hall do teatro, rua central – e tem momentos em que traça um belo diálogo com a arquitetura de Lina Bo Bardi, como o vídeo “Of Nationhood” (da Nacionalidade), de Thando Mama, da África do Sul, em interessante relação com a sala de leitura do espaço de convivência.

Cabe apontar ainda que, apesar de o festival ter incorporado ao seu escopo todas as linguagens artísticas, continua tendo o vídeo como idioma mais forte e determinante.

Serviço
20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil – Panoramas do Sul
Sesc Pompéia
R. Clélia, 93 – São Paulo
até 14/1/2018
sescsp.org.br

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