tbt #27

Edição lançada em dezembro de 2015 discute os conceitos e problemáticas fulcrais das coleções de arte

Da redação

N° Edição: 27

Publicado em: 22/07/2021

Categoria: #tbt, Destaque

Você Me Dá a Sua Palavra, de Élida Tessler (Foto: Mariane Malinowski)

Investigando por todos os ângulos o conceito de “coleção”, a seLecT #27 dispara logo, na seção Fogo Cruzado, a pergunta-tabu sobre despatrimonialização de obras de arte pertencentes a coleções públicas: Vender É Tabu? O curador Luiz Camillo Osório sintetiza o complexo debate: “De fato, segue sendo um tabu vender obras nas coleções públicas. Creio que todos os cuidados devem ser tomados para evitar que os museus vendam suas obras para viabilizar problemas financeiros e administrações pouco imaginativas e problemáticas. Entretanto, impossibilitar que isso aconteça a partir de critérios transparentes e debatidos publicamente também me parece um engessamento ruim. Independentemente disso, o que temos de discutir é a necessidade de as coleções públicas competirem no mercado pelas obras importantes, que elas possam se desenvolver, com os acervos sendo pesquisados, digitalizados, visitados e fortalecidos. Há que se pensar também novos formatos de co- leção – em que se pensem o compartilhamento, a integração e a troca entre instituições. É difícil, mas não me parece impossível”.

Mas as coleções não se restringem à atuação de museus e acervos particulares. Obras dos artistas Bruno Faria, Camille Henrot, Candice Breitz, Élida Tessler, Jac Leirner, Nacho Martín Silva e Theaster Gates feitas de coleções de material pouco nobre ou de baixo valor são o foco na curadoria editorial O Impulso Inventariante. O portfólio, dedicado à obra de Maryam Jafri, investiga a gênese da pesquisa da artista paquistanesa com arquivos oficiais para a criação de obras contranarrativas: “Em 2012, quando explorava o catálogo online da Getty, ela encontrou fotografias históricas que já havia visto nos arquivos do Ministério da Informação de Gana, em Acra, capital desse país africano. Datadas de 6 de março de 1957, as imagens não eram registros banais, mas fotografias da independência de Gana, primeira nação subsaariana oficialmente livre do colonialismo europeu. Diante da coincidência, a artista dedicou-se à comparação dos dois bancos de imagens – um digital, privado e americano, o outro analógico, público e africano. O estudo revelou inconsistências em legendas de fotos, além de exibir o conflito na adulteração de informações”. A investigação deu origem ao trabalho Getty vs. Ghana (2012), que emparelha as fotografias, agregando um pequeno texto, explicando as diferenças entre elas. A partir dessa lógica que compara narrativas distintas, Jafri desenvolveu obras como Corbis vs. Mozambique, Getty vs. Kenya vs. Corbis e Getty vs. Musée Royale D’Afrique Centrale vs. DR Congo, cuja orquestração depende de acervos públicos, referentes à memória coletiva de diferentes países. ”Em Products Recall: An Index of Innovation (2014-2015) a artista reúne objetos que não tiveram tempo de entrar para a história. A instalação apresenta fotografias de produtos industrializados que, por razões diversas, fracassaram no mercado e foram retirados de circulação”, prossegue a repórter Camila Régis, voltando-se então a um dos trabalhos mais instigantes que viriam a ser exibidos nove meses depois, na Bienal de São Paulo de 2016. Releia aqui.

Capa #27

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