#tbt seLecT #14

Valor, legitimação e visibilidade são problemas abordados na edição sobre mercado de arte

Da redação

N° Edição: 14

Publicado em: 22/04/2021

Categoria: #tbt, Destaque

De CIldo Meireles (Foto: Cortesia Galeria Luisa Strina)

Lançada em outubro de 2013, a edição #14 da seLecT analisa como o Mercado de arte vai muito além da mera compra e venda de obras, definindo a legitimação e a visibilidade de artistas e programas de instituições. Na capa, em uma atualização de suas Inserções em Circuitos Ideológicos, o artista Cildo Meireles carimba “Cadê o Amarildo?” em uma nota de dois reais.
O mercado de arte brasileiro, na época, passava por uma fase aquecida, com uma série de galerias abrindo e expandindo atuação para outros territórios nacionais e internacionais. Havia também um frenesi sobre artistas de diferentes gerações. Tudo isso, menos de dez anos depois, mostrou seus limites, com o arrefecimento geral do setor, salvo algumas poucas exceções.
Analisando essas transformações, a pesquisadora Ana Letícia Fialho mostra como as pesquisas sobre o mercado de arte no Brasil são cheias de lacunas, ainda que encontrassem, naquele momento, uma vitalidade inédita. Para a autora, as pesquisas quantitativas pecam na ausência de reflexão crítica sobre seus dados, além de apresentarem erros metodológicos que dificultam a compreensão abrangente do setor.
A inserção brasileira no mercado internacional é discutida pela jornalista Juliana Cunha Lima, que mostra como exposições no MoMA ou na Tate, dedicadas a artistas como Mira Schendel ou Carlito Carvalhosa, refletiam um interesse mais amplo sobre a produção artística vinda do Brasil.
Na contramão da euforia do mercado, em entrevista a Márion Strecker e Paula Alzugaray, a galerista Luisa Strina discute as mudanças do circuito de arte ao longo de seus mais de 40 anos de atuação e conta como se estabeleceu em meio às crises econômicas, políticas e sociais pelas quais o Brasil passou nesse período.
Em reportagem, Strecker aborda como galeristas, decoradores, professores, artistas, colecionadores e diretores de feiras contribuem para definir os parâmetros — quase sempre arbitrários — de preços de uma obra de arte. “Existe arte de qualidade extrema que não chega ao mercado. E arte de qualidade duvidável sendo vendida como joia rara”, disse a artista Jac Leirner à então editora convidade da seLecT. Os retratos das estrelas do sistema que participam da reportagem – como Eliana Filkenstein, Jan Feldt, Lisette Lagnado, José Olympio Pereira, Cleusa Garfinkel, Danilo Santos de Miranda e grande elenco – foram feitos por ninguém menos que Bob Wolfenson, especialmente para a seLecT.
Os artistas que questionam e tensionam os limites do mercado da arte, expondo seus mecanismos de fetichização e mistificação, entre pontos cegos e estratégias midiáticas, são tema de curadoria da editora-chefe Giselle Beiguelman. Hans Haacke, Lourival Cuquinha, Andrea Fraser e Rosângela Rennó escancaram as transações econômicas determinadas por galerias, instituições e a própria produção artística. Em outra matéria, Beiguelman analisa como a associação a marcas de luxo se tornou uma forma de viabilização da pesquisa de artistas como Nam June Paik ou Roman Polanski.
Parodiando o filme de Orson Welles, “F for Fake”, a jornalista Gabriela Longman discute o procedimento de cópia na produção de Gustavo von Ha. Em uma série de desenhos, o artista reproduz obras de Tarsila do Amaral e Leonilson na mesma escala e material, mas com sentido invertido, ironizando questões de autoria, gesto ou originalidade. “Por que um quadro vale milhões e sua cópia exata não vale nada?”, pergunta a jornalista.
Esse e outros problemas e vícios do sistema da arte são foco do romance Esquilos de Pavlov, de Laura Erber, que ganha um Review de Paula Alzugaray. Na mesma seção, há também análise da crítica Ana Maria Maia sobre o projeto Golpe de Graça, de Matheus Rocha Pitta, que tensiona a história do então recém-inaugurado Pivô, no edifício Copan, em São Paulo.
Discorrendo sobre a complexa ecologia do mercado de arte, a Coluna Móvel do crítico inglês Charles Esche, então curador da 31ª Bienal de São Paulo, defende a necessidade de diversidade de linguagens e vozes nesse sistema. Reportagem de Luciana Pareja apresenta a situação e história dos espaços independentes no Brasil e texto de Nina Gazire mostra as possibilidades de produção, circulação e consumo de arte na internet, descentralizando os focos de poder.
O Mundo Codificado apresenta desigualdades em números por meio da indicação dos artistas mais valorizados no mercado, com dados sobre as principais nacionalidades e faixas etárias em bienais e feiras, além da predominância de certas cores nesses eventos, refletindo sobre o gosto mainstream.
Vale citar outra pérola da edição, semi-escondida na seção de Cartas: o comentário do crítico Tadeu Chiarelli sobre a capa da edição #13, com a artista Lenora de Barros: “Vivi para ver essa capa linda, com aquela que sempre insistiu em viver à margem, quando sempre foi o centro”.

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Capa da seLecT #14

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