#tbt seLecT #19

Rever a edição dedicada à #noite, causa nostalgia. Mas faz pensar que da potência desta longa noite nas artes emergirá um novo normal digno do nome, porque a noite produz alterações de consciência e êxtase

Da redação

N° Edição: 19

Publicado em: 27/05/2021

Categoria: #tbt, Destaque

Festa Puta Dei com companhia de teatral Pessoal do Faroeste, no Rio de Janeiro, fotografado por Paulo D'Alessandro

Em agosto de 2014, quando a seLecT #19 chegou às bancas, algumas festas eram aguardadas: a do 34º Panorama no MAM e as da 31ª Bienal de São Paulo e da ArtRio, que chegariam no mês seguinte. A mais aguardada era a de início de outubro, a festa da democracia, eleições que reconduziriam Dilma Rousseff à presidência da República. Vivia-se uma ressaca pós-manifestações que pautaram aquele período histórico e ainda se vibrava em iniciativas emergentes de festas clandestinas com o objetivo de reclamar as ruas, o centro, todo e qualquer espaço baldio, num clima pós-revolucionário das “primaveras políticas” mundo afora. Tudo podia acontecer. A vida por vir era uma promessa de mudanças. E seLecT ainda celebrava aniversário de 3 anos, com o lançamento de seu projeto de múltiplos encartados na revista, inaugurado nesta edição #19 com uma versão de Esfera Invisível (2014), de Cildo Meireles, elaborada em papel especialmente para a revista. Editado em tiragem numerada de 18 mil cópias, o múltiplo foi um grande presente!

Inteiramente dedicada ao tema #noite, aquela edição estampava o Pling Pling (2009), do mesmo Cildo, na capa: instalação inédita no Brasil do maior nome da arte contemporânea brasileira que seria inaugurada em breve, com festa, e que Márion Strecker apresentou em matéria para a seção Vernissage, Imersão em Cor. Abrindo com a entrevista de Guilherme Kujawski com o prefeito da noite de Amsterdã, Mirik Milan, em que este apresenta uma visão política da vida noturna, que não pode ser vista apenas como divertimento, mas como oportunidade de incrementar as indústrias criativas e incentivar a tolerância entre agentes sociais diversos, garantindo direitos iguais a todos, a revista mergulha na cena do Centro Velho de São Paulo, pelas lentes de Paulo D’Alessandro, e na de Copacabana pelo olhar de Arthur Omar. A seção Curadoria traz pensata de Giselle Beiguelman sobre as infiltrações estéticas e políticas na escuridão de grandes cidades por artistas e coletivos que fazem projeções ou intervenções multimídia, transformando a arquitetura em interface, como o grupo alemão Urbanscreens, o duo paulistano VJ Suave, e o pioneiro da intervenção urbana fazendo uso de tecnologia de ponta, o polonês Krzysztof Wodiczko.

Outros temas saborosos que ganham reportagens nas páginas da seLecT #19 são os projetos pirotécnicos dos designers gastronômicos britânicos Bompas & Parr; a cultura dos negócios noturnos realizados na programação paralela das maiores feiras internacionais, mapeada pela repórter Luciana Pareja Norbiato no texto Galeristas de Jet-Lag; e a série de obras dedicada pela holandesa Rineke Dijkstra à era clubber, em Portfólio assinado pela diretora de redação, Paula Alzugaray. Hoje, às vésperas do aguardado #29M que, sem festa nem noite, promete mobilizar o país, às vésperas também de uma nova edição da Bienal de São Paulo, premonitoriamente intitulada Faz Escuro, Mas Eu Canto, e em um contexto radicalmente diverso, sem jet-lag nem feiras, rever a edição de sete anos atrás causa nostalgia. Mas também faz pensar que da potência desta longa noite nas artes emergirá um novo novo digno do nome, porque a noite produz alterações de consciência e êxtase.

Releia aqui.

Capa da seLecT #19

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