#tbt seLecT #4

Infantilização, juventude, regressão e Big Brother estão entre os assuntos discutidos em edição de 2012

Da redação

N° Edição: 4

Publicado em: 11/02/2021

Categoria: #tbt, Destaque

Santa with Butt Plug (2007), de Paul McCarthy (Foto: Divulgação)

Gugu-Dadá: A infantilização da cultura em tempos de Big Brother. Este foi o tema da edição lançada em fevereiro de 2012 que discutia questões como juventude, obsolescência e ficções na arte e na vida em geral. O que é ser jovem hoje? Entre a fofura, a longevidade, a regressão e a perversidade, as possíveis respostas para essa pergunta são explanadas ao longo da revista que trata das ambiguidades do tema, refletindo sobre a relação entre uma cultura da jovialidade e as acelerações de um mundo informatizado.

Enquanto o músico Tony Bellotto responde por que os roqueiros não envelhecem, o crítico Paul Cold Berger discute a espetacularização que passou a ser a tônica da programação e da arquitetura de museus e cidades, emulando parques de diversões. “Um parque de diversões chamado Google”, inclusive, é o título da reportagem de Nina Gazire, que apresenta os usos irreverentes dessa ferramenta por artistas e pesquisadores.

Paula Alzugaray apresenta uma curadoria de artistas e designers que apelam à tatilidade, como um retorno a um estágio do desenvolvimento em que a visão ainda não é predominante sobre os outros sentidos. A edição traz ainda um mapeamento de objetos de design que são inspirados em brinquedos de infância, assim como a seção Mundo Codificado é dedicada à história dos brinquedos, em ilustração de Marcelo Cipis.

Em entrevista coletiva a Mônica Tarantino, a psicanalista Miriam Chnaiderman, o dermatologista Otávio Macedo e o filósofo Luiz Felipe Pondé discutem a obsessão pela juventude e os prós e contras da infantilização da produção cultural. “A mãe quer ser como a filha, o que implica que a filha não tem futuro. Mas o lado interessante dessa busca pela juventude para a geração que está envelhecendo é não se tornar tão escravo de falsas verdades, como casamento, família e paternidade”, diz Pondé.

Nesta edição, Giselle Beiguelman – então editora-chefe da revista – cunhou o conceito de “capitalismo fofinho”, no qual o consumo e as relações sociais são mediados por emojis arredondados, cores dóceis, corações e uma economia de likes. Beiguelman também analisa como o trabalho no mundo neoliberal é apresentado como uma experiência de diversão, como forma de otimizar a produtividade e justificar as crescentes perdas de direitos do trabalhador.

Takashi Murakami também tem destaque nesta edição, que mostra como o artista mistura perversidade e fofura, em processo intrínseco à massificação e à globalização de sua obra. Autor do Manifesto Superflat, Murakami organiza, desde 2001, a feira Geisei Art Fair, dedicada à “arte jovem”. Esta ideia também é discutida pelos então “jovens artistas” Felipe Bittencourt, Sofia Borges, Rafael Carneiro, Flávia Junqueira e André Feliciano, que apresentam justamente os limites e as questões publicitárias que estão envolvidas nesse rótulo.

Já o escritor Ronaldo Bressane apresenta uma discussão sobre as histórias em quadrinhos no mercado editorial brasileiro e a crítica e jornalista Juliana Monachesi reúne uma seleção de obras que se valem da idiotia como potencial corrosivo para o próprio sistema de arte. Monachesi toma o programa Big Brother Brasil como objeto de reportagem, considerando-o como um estágio gugu-dadá da cultura, com suas estratégias obsoletas, falsas polêmicas, moralismo, sexismo e equívocos diversos. “O show tem de parar” é o título de sua crítica, que encontra os devidos paralelos neste momento em que o programa novamente domina o debate público, tanto na imprensa como nas redes sociais.

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Capa da seLecT #4

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