#tbt seLecT #5

As disputas políticas e o imaginário sobre a água conduziram edição lançada em abril de 2012

Da redação

N° Edição: 5

Publicado em: 18/02/2021

Categoria: #tbt, Destaque

Capa do filme de ficção científica Beyond the Black Horizon (1955), de Ed Valigursky (Foto: Reprodução)

Código água é o tema da seLecT #5, que navega sobre os usos desse elemento na arte, mas também identifica as tensões sociais, econômicas e políticas em torno do recurso.

Em Navegação, como era intitulada a seção de notas da revista, a Redação destacou os trabalhos líquidos, marítimos e pluviais de artistas como Ana Maria Tavares, Regina Vater e Trudo Engels. Viagens marítimas para escritores e um projeto recém-lançado do Google para uma versão subaquática de seu Street View também abrem a edição.

A jornalista Nina Gazire apresenta a questão ao longo da história da ficção científica, entre turbulências, lulas gigantes e viagens rumo ao desconhecido. No portfólio da edição, os fluxos dos rios – e sua correspondência com as malhas metálicas dos equipamentos e processos gráficos –orientam a produção tão industrial quanto anódina de Artur Lescher.

A transição entre os diferentes estados da matéria está na curadoria de Angélica de Moraes, que reúne José Rufino, Laura Vinci, Cildo Meireles (com seu picolé de água batizado de Elemento Desaparecendo/ Elemento Desaparecido), Laura Lima e a dupla Gisela Motta e Leandro Lima, capa da edição. Motta e Lima também ganham destaque em um perfil que analisa a água como elemento essencial de sua produção, em vídeos, instalações, fotografias e objetos que se valem do material mais essencial à vida.

A seção Mundo Codificado – em que buscamos dar visualidade gráfica a dados relacionados ao tema da edição – é dedicada aos números de consumo de energia e descarte de lixo eletrônico a partir da computação. Assunto que também se reflete nas matérias de Giselle Beiguelman e Juliana Monachesi, que apresentam artistas que questionam a ideia de imaterialidade do mundo digital e aqueles que refletem sobre transformações ambientais.

Já em termos diretamente sociais e políticos, a edição #5 abrange uma série de dossiês sobre a situação global da água naquele momento, com análises das transformações em curso. Em entrevista a Nina Gazire e Paula Alzugaray, por exemplo, o capitão Paul Watson, ativista ambiental dos oceanos, fala de seu navio com bandeira pirata e de sua atividade contra a caça ilegal de focas e tubarões, criticando, inclusive, eventos midiáticos como a Rio+20, tema também de um dossiê assinado por Ronaldo Lemos, atualmente diretor do ITS Rio, instituto de pesquisa sobre o impacto da tecnologia no Brasil e no mundo.

Outras questões, cariocas, são tratadas pela pesquisadora Ivana Bentes e pelo crítico de arquitetura Fernando Serapião. A região portuária do Rio de Janeiro, naquele momento, passava por um processo de revitalização, incluindo a implantação do Museu de Arte do Rio, Museu do Amanhã e a reforma do MIS RJ. O dossiê da seLecT, assim, analisa os impactos econômicos, ambientais e de saneamento básico a partir dessas mudanças.

Serapião mostra como a arquitetura ora aproxima a favela do imaginário moderno, ora de uma forma contemporânea de ocupação da cidade, discutindo a obra de arquitetos como Stefano Boeri e Christian Kerez. Já Ivana Bentes discute a favela na economia globalizada e como sua imagem está em disputa no cenário comunicacional e cultural contemporâneo. “As favelas não são fábricas de pobreza, mas o maior capital nas bolsas de valores simbólicas do Rio de Janeiro e do país”, aponta.

O filósofo Nelson Brissac, criador do Arte/Cidade, analisa como o pré-sal carrega inovação industrial, revitalização urbana e potencializa o Rio como laboratório de arte e ciência e Ana Carla Fonseca, arquiteta e gestora pública discorre sobre o livro Cidades Criativas, Soluções Inventivas, refletindo sobre o impacto sócio-econômico de eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas nas cidades.

No editorial de moda, o artista Maurício Ianês abusa dos tecidos molhados, lavados e escorridos e o arquiteto Gabriel Kogan discute as cidades canais em uma Coluna Móvel – nossa seção de artigos que não conta com articulistas fixos. Para fechar a edição com chave de ouro na seção Delete, criada para dar vazão a críticas contundentes e, por que não, destrutivas, sobre questões sociais, políticas e artísticas, Angélica de Moraes aponta para a cínica estratégia eco-friendly de venda de sacolas biodegradáveis nos supermercados, enquanto a grande gama de produtos ainda seguem nas embalagens plásticas:uma estratégia puramente comercial.

“Em tempos de aquecimento global, acidificação do oceano, falta de oxigênio nos mares e contaminação dos rios, a água lidera o ranking das vulnerabilidades do mundo. […] Como está hoje o alinhamento dos mais diversos campos da cultura com o meio ambiente? Como os artistas se posicionam? Como a natureza transforma o artista e sua obra?”, indaga Paula Alzugaray no editorial, em uma possível antecipação das preocupações que consomem a seLecT em 2021, em sua série de edições dedicadas às florestas. Leia ou releia aqui.

Capa da seLecT #5

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