#tbt seLecT #6

Do filme de película ao Youtube, edição de 2012 discute as transformações do mundo audiovisual com a internet

Da redação

N° Edição: 6

Publicado em: 25/02/2021

Categoria: #tbt, Destaque

Imagem da seção Microcinema, Arte Em Transição, de Lucas Bambozzi em Hong Kong (Foto: Divulgação)

As formas expandidas do audiovisual, “Do Youtube a Nollywood”, foram tema da edição lançada em junho de 2012. Em ritmo de thriller e muita ação, este número transita pelos novos circuitos da imagem no século 21: entre o cinema clássico, as redes sociais e os microformatos de vídeo que começavam a circular pelos smartphones.

Na época, cerca de 13 milhões de pessoas assinavam TV a cabo. Na seção Curto-circuito (antigo Fogo Cruzado), Luiz Noronha, produtor executivo da Conspiração Filmes, Eugênio Bucci, crítico de televisão e professor da ECA-USP, e o diretor e roteirista Tadeu Jungle discutem os impactos dessa situação e as transformações do audiovisual a partir dos avanços tecnológicos, o que implicava em superprodução, mudanças nas políticas do setor, como as cotas para a produção nacional, e solidificação dessa economia.

O volume de informação nesse mundo digital é tema da seção Mundo Codificado, que mapeia como, naquele momento, a cada minuto, 60 horas de vídeo eram disponibilizadas no YouTube, 2.500 fotos publicadas no Flickr e 500 tweets apontavam para links de vídeos, além de 14 bilhões de fotos armazenadas no Facebook – são dados que, certamente, se multiplicaram e muito desde então. A problemática se conecta com a reportagem de Giselle Beiguelman que analisa o novo paradigma da produção audiovisual: o trabalho a partir de bancos de imagens.

Remixes e apropriações eram as estratégias usadas no começo da carreira de Gaby Amarantos, que ganha análise de Nina Gazire. Bjork, Madonna, Arcade Fire, entre outros, também são tema de reportagem da jornalista, mostrando como, naquele momento, já não bastava fazer música sem considerar sua circulação visual.

Na contramão da aceleração e em um contexto de poucos recursos tecnológicos, no texto Conexión o muerte, o escritor Rodrigo Savazoni mostra como artistas cubanos com acesso à internet (precária) da ilha usavam a tecnologia em prol de imagens não ligadas ao governo e que circulavam de maneira descentralizada e não rastreada através de pen drives.

Outra discussão sobre a indústria audiovisual e a internet fora do eixo está na produção do fotógrafo Pieter Hugo, que registra a indústria cinematográfica da Nigéria, a terceira maior do mundo, com uma alta produção de filmes de baixo orçamento. As imagens são de tirar o fôlego e a impactante capa da edição é o retrato que o artista produziu em 2008 de Chommy Choko Eli, Florence Owanta e Kelechi Anwuacha, três estrelas do Nollywood nigeriano.

Nas Colunas Móveis, o jornalista Alcino Leite Neto fala sobre filme nunca realizado do cineasta russo Sergei Einsenstein, em crítica à arquitetura moderna, e o artista Yuri Firmeza analisa o novo cinema cearense a partir de Praia do Futuro (Karim Aïnouz), Sábado à Noite (Ivo Lopes Araújo), Supermemórias (Danilo Carvalho), Centauro (Marina de Botas) e Europa (Leonardo Mouramateus).

Marketing viral é o tema da Coluna Móvel do professor Edmar Bulla, que discute o fenômeno das viralizações pela internet. “O vídeo viral, assim como a gripe, não é cria da era digital. A tecnologia só potencializou a capacidade humana de propagar algo culturalmente relevante”, diz. Com ironia, ele analisa como o vídeo viral Como Se Tornar Um Artista Negro de Sucesso (2012), do heterônimo Henessy Youngman, sugere de maneira instrutiva que esse grupo social use dos estereótipos para se promover no circuito artístico.

Ao videoartista Eder Santos, é dedicado um perfil que analisa seus usos experimentais dessa mídia e a dimensão colaborativa do audiovisual, enquanto outro texto analisa as instalações audiovisuais imersivas de André Parente. Uma curadoria de Juliana Monachesi sobre cinema e arte deanimação reúne Thomas Demand, Nathalie Djurberg e Tom Thayer, situando-os como “filhos de Méliès”. Paula Alzugaray aborda a violência no cinema e vídeo latino-americano, a partir de obras de Yoshua Okón, João Castilho, Cinthia Marcelle e Gisela Motta e Leandro Lima – fruto de projeto curatorial desenvolvido para a feira LOOP de Barcelona.

O editorial de moda do fotógrafo Roberto Wagner faz uma releitura do filme Deserto Vermelho, de Antonioni, e foi ambientado na paisagem pós-industrial de Cubatão, em São Paulo.

O artista Lucas Bambozzi, por sua vez, apresenta um festival de mídias móveis, na Ásia, no qual circulam imagens capturadas com dispositivos de pequeno formato. “Há uma nova geração de cineastas que não se identifica com os rótulos típicos do cinema. Eles não se encantam com o ato heróico de fazer cinema, quando a dificuldade bate de frente com o desejo criativo”, escreve Bambozzi.

Fecham a edição a seção Delete, de Angélica de Moraes, discutindo a etiqueta das redes sociais e o péssimo hábito de marcar os amigos em posts de autopromoção; e um obituário, com muito humor, dedicado ao filme de 35mm.

Leia ou releia aqui.

Capa da seLecT #6

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