#tbt seLecT#29

Relida hoje, seLecT Rio atesta falência de políticas públicas 5 anos depois

Da redação

N° Edição: 29

Publicado em: 05/08/2021

Categoria: #tbt, Destaque

Corpo Santo (2012), de Dias & Riedweg (Foto: Cortesia ateliê Dias & Riedweg)

Quando a seLecT tomou o Rio de Janeiro como pauta da edição de abril/maio de 2016, havia-se recém-criado em torno dos achados arqueológicos de sua região portuária um Grupo de Trabalho Curatorial do Circuito Histórico e Arqueológico da Herança Africana. O mecanismo, em tese, possibilitaria uma melhor compreensão dos processos da Diáspora Africana e da formação da sociedade brasileira. Na edição #29, seLecT mapeava esse universo cultural em expansão, que incluía o Museu Memorial Instituto dos Pretos Novos (IPN) . Cinco anos depois, constata-se que pouco foi feito. A implementação de políticas públicas e de um projeto de educação capazes de desnaturalizar o racismo estrutural segue sendo a carência e urgência do dia.

“Nascer de novo” foi a resposta da jornalista Thamyra Thâmara, idealizadora do Projeto Gatomídia, para a pergunta do Fogo Cruzado: O que falta para o Rio de Janeiro ser uma real democracia racial? Em ensaio, a curadora Clarissa Diniz discorria sobre os desafios do Museu de Arte do Rio (MAR) para abarcar o valor cultural da primeira periferia urbana do Brasil, nascida nos arredores dos antigos mercados de escravos, do Cais do Valongo e do Cemitério dos Pretos Novos. O projeto do museu se anunciava como “uma articulação colaborativa de respostas produtivas às muitas questões que perpassam sua inserção na cidade”, escreve Diniz, da equipe curatorial original, coordenada por Paulo Herkenhoff.

O “museu poroso”, que assumia seu lugar de fala “na mesma medida de sua capacidade de escuta”, se tornou de cara uma baliza para a população do bairro e da cidade. Um fato cultural e uma referência no cenário institucional brasileiro. Em 2019, abraçado pela opinião pública, o MAR foi salvo da ameaça de paralização, mas a grave crise enfrentada nos últimos anos é o emblema do desinteresse do poder público em encontrar caminhos para a cultura brasileira, e o sinal de uma falência generalizada do Estado que já se anunciava no horizonte. Ao som do bate-estaca das obras de revitalização da cidade, iniciava-se um “terremoto político, cujo fim ninguém parece enxergar”, escreve a curadora Luisa Duarte na coluna “Precariedade de fundo”, um manifesto pelo fim da euforia de um ciclo mercantil que se insinuava como virtuoso.

Mas como canta Adriana Calcanhotto, “cariocas são bonitos/ cariocas são bacanas/ cariocas são sacanas/ cariocas são dourados/ cariocas são modernos/ cariocas são espertos/ cariocas são diretos/ cariocas não gostam de dias nublados”. Em seu libelo pelo passado e o futuro do Rio, a edição #29 evoca os cariocas eternos Dias & Riedwig e Marcos Chaves, além de Opavivará, Aleta Valente, Guga Ferraz e Cecilia Cipriano – reunidos na curadoria de João Paulo Quintella sobre o espaço público como componente ativo do trabalho –, para cantar o que fez e faz do Rio a grande constelação do nosso imaginário.

Capa seLecT #29

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