#tbt seLecT#30

Edição de 2016 problematiza hierarquização do popular e preconiza a decolonização do imaginário erudito

Da redação

N° Edição: 30

Publicado em: 13/08/2021

Categoria: #tbt, Destaque

Tour Bogotá (2012), de Rafael RG e Fabiana Faleiros (Foto: Cortesia Fabiana Faleiros)

A pintura Preto Velho Cubista III (2015), que estampa a capa da seLecT #30, olhada hoje, com o “recuo histórico” de 5 anos, parece descolada do tema da edição: Popular. Naquele momento, junho/julho de 2016, quando a obra tinha sido recém-exposta na individual de Rodrigo Andrade no Ateliê397, sob o emblemático título Praça da República, junto a dezenas de outras pequenas telas que, como o Preto Velho, representavam temas esgarçados e diluídos da “tradição popular” – palhaços, aves, pores do sol – a pintura parecia uma afronta na capa de uma revista de arte contemporânea.

Hoje, é mais contemporânea do que muito trabalho pós-minimalista exposto em galeria blue chip. O que houve? A arte mudou? Mudamos nós, espectadores da arte? O mundo certamente é outro. O sistema da arte se transformou bastante também. Mas que guinada no “gosto erudito” pôde fazer uma pintura tão “ruim” parecer tão boa num intervalo tão curto de tempo? Reler a edição #30 ajuda a responder algumas dessas perguntas. As defesas por parte de Adriano Pedrosa, Emmanuel Nassar, Ricardo Resende, Vilma Eid, Bruno Faria e Carlos Monroy de um fim à dicotomia popular/erudito soam atualíssimas, mostrando que o impasse permanece e que toda a reflexão em torno dele é ainda necessária.

O sintoma mais evidente da mudança de sensibilidade é mesmo a transformação da capa da revista de ruído em epifania. Algo semelhante se passa ao rever a Art in America que escolheu um detalhe de uma pintura de Carroll Dunham para a capa de uma edição de 2016: uma cara de cavalo pintada à maneira naïf. Passados cinco anos, já não causa estranhamento também. O que houve? A arte mudou? Mudamos nós, espectadores da arte? Aparentemente são dois sim. Exposições como a de Rodrigo Andrade, ou a remontagem de A Mão do Povo Brasileiro no Masp, outro assunto da seLecT #30; projetos como o da Galeria Estação, de Vilma Eid, e produções como as de Faria e Monroy; ações e posicionamentos críticos diversos transformaram nossa forma de ver arte. Ou isso ou a estética de Andrade e Dunham formaram seu próprio público. A arte popular morreu. Vida longa à arte popular!

Releia a seLecT #30 aqui.

Capa seLecT #30

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