Território da diferença

Sexo e Arte é o tema da #seLecT41, que teve como editora convidada a artista e professora Dora Longo Bahia

Paula Alzugaray
Recorte de foto de Paulo Garcez que registra performance de Paulo César Pereio para a revista Careta (1981)

Há um ano, em novembro de 2017, em reação aos ataques à exposição Queermuseu, em Porto Alegre, à performance La Bête, no MAM-SP, e a diversos outros focos de intolerância armados contra projetos culturais em todo o País, tivemos a formação de redes de trabalho – reunindo artistas, gestores e produtores culturais, curadores, professores, arquitetos, jornalistas, editores, advogados etc. –, que ativaram uma frente de resistência em defesa da liberdade artística. 

seLecT juntou-se a esse objetivo, dedicando as quatro edições do ano a pautas relevantes para essa discussão: Crítica (porque acredita que o pensamento crítico deve ser exercitado desde criança na escola até qualquer atividade profissional praticada na vida); Gênero (porque o debate de identidade de gênero é uma conquista social que deve ser respeitada e reverberada); Política Cultural (porque os acertos e os fracassos do governo na preservação do patrimônio e no fomento de uma vida cultural saudável da população devem ser apontados); e Histórias da Arte (ciente de que a história não é uma só e urge ser recontada desde outros pontos de vista). 

Sexo é a continuidade natural do processo. Porque sexo é per se o território da diferença. “É onde a diferença ganha potencial”, como afirma o artista Mauricio Dias, em texto sobre o trabalho CameraContato, feito em parceria com Walter Riedweg. Ao lado de temas como ondas de extremismo e massas religiosas, sexo está no espectro de discussão da equipe curatorial da próxima Bienal de Berlim, integrada pela brasileira Lisette Lagnado, entrevistada por Márion Strecker.

Nesta edição que acompanha o leitor na entrada de 2019 e nos primeiros meses de exercício de um governo que anunciou restringir liberdades fundamentais como a de ensinar e de aprender, falar em sexo é educativo. E o 2º Prêmio seLecT de Arte e Educação, conferido em setembro passado, por um júri formado por quatro professores universitários para um projeto de radical problematização das ambivalências das noções de gênero, é uma feliz comprovação disso (leia texto de Luana Fortes). 

Finalmente, o convite a Dora Longo Bahia, artista, doutora em Poéticas Visuais e professora da ECA-USP, para juntar-se à equipe como editora convidada da seLecT #41 confere a esta edição uma tinta política imprescindível. Sua participação endossa que falar de sexo é fazer política. Vide o projeto Lava Jato – que processa títulos de fases da operação anticorrupção em páginas de revistas pornográficas. 

Muito embora 2018 tenha descortinado outra sucessão de eventos sinistros, vulgaridades e violências à cidadania, seLecT continua oferecendo suas páginas para conversas francas, sempre como lugar de exercício da liberdade democrática de se questionar. 

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