Terrorismo retiniano

Marcar pessoas indiscriminadamente no Facebook é uma forma de navegar nas redes sociais rodeando o próprio umbigo

Angélica de Moraes

N° Edição: 6

Publicado em: 02/08/2012

Categoria: A Revista, Reportagem

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O número de internautas no País, contabilizando os acessos em locais públicos, chegou a 73 milhões, dos quais 67% acessam redes sociais como Facebook, Orkut e Twitter, segundo o Comitê Gestor da Internet (CGI.br). Uma multidão que só faz intensificar a iminência de um pesadelo recorrente. Aquele contido no singelo verbo “adicionar” e que saltou dos gostosos livros de receitas caseiras para ser aplicado na prática predatória, usual no Facebook, de pendurar no perfil dos outros coisas indesejadas pelo detentor do espaço.

A coisa toda funciona mais ou menos como alguém invadir a sua casa na sua ausência e, com prego e martelo em punho, furar a parede da sua sala para pendurar um quadro horroroso, que jamais combinaria com a decoração do espaço. Exatamente daqueles que o dono da casa não gostaria de sequer bater o olho. Dói.

Marcando

Há quem diga que o Facebook está se orkutizando e que a massificação – tão benéfica aos movimentos sociais tipo occupy e assemelhados – também tem sua face perversa. Seria aquela dos que navegam nas redes sociais para circunavegar o próprio umbigo, em operações de marketing pessoal mais insistentes quanto menor o nível estético do produto anunciado?

Sim, estou me referindo àquele aparentemente inofensivo aficionado dos pincéis que, para ocupar o ócio dos fins de semana, inventa (do nada) de ser artista e não poupa ninguém de seus acabrunhantes resultados. São aqueles que insistem na tecla de que o artista é um ser divino movido a inspiração do além e não um terráqueo como todos nós, que aprende uma profissão e o domínio técnico necessário ao exercício dela em cursos e práticas específicas para o desenvolvimento desse conhecimento.

Quando termina um quadro, esse cidadão larga a pacata existência e se transforma no predador mais implacável do espaço internético. Missão: espalhar sua “obra” a todo um público-alvo que ele coleciona com requintes de cálculo – os tais formadores de opinião – e sair marcando, em seu e-flyer ou reprodução de sua obra, os nomes de todos os “associados involuntários”. Alguém, por favor, pode dizer a esses terroristas retinianos que marketing pessoal eficaz é aquele antecedido da criação de algo? A gente diz, mas eles continuam fingindo que não entendem.

*Publicado originalmente na #select6

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