Top10 estandes da SP-Arte

Redação seLecT elege as 10 galerias mais impactantes da feira paulistana, que acontece até hoje na Bienal

Da Redação

Publicado em: 10/04/2022

Categoria: Da Hora, Destaque, Mercado de Arte

Galeria HOA na SP-Arte 2022

1ª – HOA
Primeira galeria de arte de propriedade negra do Brasil, dedica seu estande a uma perspectiva descolonial da arte contemporânea, com ênfase na produção artística de pessoas racializadas sobre memória, família e identidade. Obras inéditas de Ricca Lee, Pegge, Larissa de Souza e Moxc4 ocupam o “estande-instalação” da galeria, que é cercado por uma cortina dourada que cria uma atmosfera de suspense e hesitação antes de se decidir entrar. Recomendamos vivamente que se atravesse o portal aveludado: a série de retratos Memórias Apagadas (2022), de Larissa de Souza, denuncia presenças e ausências de registros fotográficos que ampliam suas memórias individuais para coletividades afro-diaspóricas.

Galeria Sé na SP-Arte 2022

2ª – Sé
A Instalação Waze, composta por 27 composições, sendo que 10 estão expostas na feira, de Arnaldo de Melo, ocupa todo o estande. A proposta é arrojada para uma feira de arte, onde as pessoas em geral estão em busca de telas, objetos e obras mais “portáteis”, no sentido de compatíveis com o espaço doméstico. O trabalho dialoga com o centro da cidade de São Paulo e é uma forma de posicionamento político em meio ao sistema da arte.

 

Galeria Periscópio na SP-Arte 2022

3ª – Periscópio
As obras de Éder Oliveira, Alice Ricci, Rafael RG, Benedikt Wiertz e Randolpho Lamonier estabelecem uma territorialidade aurática no estande da galeria mineira: fala-se de política, fala-se de utopias, ao mesmo tempo em que as formas hesitantes de alguns dos trabalhos rebaixam a assertividade do todo, desterritorializando o espaço que pareceria ser de protesto. “Sonhar acordado / Lutar sonhando”, o poema forjado na peça escultórica de Rafael RG que paira do alto, ressignifica o conteúdo que está a seu redor a cada volta do olhar. Intitulada Há uma Serpente por Debaixo da Ilha (2021), a escultura em ferro foi feita em parceria com o mestre Ferreiro Carlos, de São Luís do Maranhão, agregando a afetividade do trabalho colaborativo à narrativa da obra e do estande todo. 

Galeria Nacional Trovoa na SP-Arte 2022

4ª – Nacional Trovoa
Bianca Foratori, Juliana Alves Xukuru, Mitti Mendonça, Ianah Maia e Keila Serruya Sankofa são algumas das artistas do Coletivo Trovoa que têm obras expostas na edição 2022 da feira. O grupo é formado por artistas mulheres racializadas dos quatro cantos do país e traz uma seleção potente de trabalhos que apresentam a perspectiva da mulher negra e da mulher indígena na experiência de vida no contexto machista e racista do Brasil. A proposta do estande é propor “uma reflexão sobre a necessidade de pensar outros parâmetros de mergulhar e emergir em sistemas e redes que fortaleçam ideais, lógicas e agrupamentos que viabilizam novas rotas de organização do pensar criativo descentralizado”. 

Galeria Movimento na SP-Arte 2022 (Foto: Filipe Berndt / Divulgação)

5ª – Galeria Movimento
A pintura protagoniza  o recorte proposto pela galeria para a 18ª edição da SP-Arte, apresentando produções dos artistas Arthur Arnold, Hal Wildson, Jan Kaláb, Marcos Roberto, Mateu Velasco, Pedro Carneiro, Tinho e Viviane Teixeira. Entre uma grande parede rosa, o projeto curatorial intenciona transportar o visitante para um espaço de criação de alternâncias em tempos complexos, como formas de expressão e possibilidades de mudança.

Galeria Estação na SP-Arte 2022

6ª – Galeria Estação
Uma escultura de Antonio Poteiro e outra de GTO atraem o olhar do visitante de forma magnética: inclinada perturbadoramente para a direita, a torre simboliza o ápice do caminho que o artista empreendeu do ofício de  confeccionar potes ao desejo de plasmar santos, animais sagrados, festas populares e seus “sonhos geradores de humanidade” em cerâmicas neobarrocas. A obra Homenagem a Padre Cícero (1984) foi adquirida por um colecionador particular e doada à Pinacoteca do estado de São Paulo. Na seção Picks, do site da feira, a curadora Carolina Lauriano elege como destaque da SP-Arte 2022 as obras de Madalena dos Santos Reinbolt (1919-1977), tapeçarias que integram o estande da Galeria Estação: “É uma artista que a gente vê pouco porque tem todo um apagamento histórico que fez com que ela ficasse muito tempo sem ser vista – sem nem ser conhecida. Suas tapeçarias – pinturas com lã, na verdade – foram resgatadas e colocadas no devido lugar: dentro de um circuito de arte, de um pensamento de arte, tirando o ‘naïf’. Ver o rigor dessa produção é muito potente”.

Central Galeria na SP-Arte 2022

7ª – Central Galeria
Ao organizar o seu estande em torno de uma reflexão sobre memória, tradição popular e saberes ancestrais, a Central foi certeira na seleção de obras de Carmézia Emiliano, Dan Coopey, Mano Penalva e Nilda Neves, e sobretudo na mistura dos trabalhos desses quatro artistas. Carmézia (Maloca do Japó, RR, 1960) e Nilda (Botuporã, BA, 1961) são pintoras sem treinamento formal, ambas de ascendência indígena, que rememoram em suas telas as paisagens, costumes e histórias de seu entorno. Carmézia faz uso de cores vibrantes para retratar danças e rituais do povo macuxi, e Nilda, bisneta de tupis-guaranis, constrói cenas elaboradas de cangaceiros e personagens folclóricos.

Amparo 60 na SP-Arte 2022 (Foto: Hannah Carvalho / Divulgação)

8ª – Amparo 60
A curadoria de abertura do estande da galeria recifense, intitulada Corpus-Lócus, propõe um paralelo entre a pintura em processo e o corpo em constante mudança. “No exercício de enxergá-lo enquanto possibilidade criativa, estética e política, e não somente enquanto agente de um corpo externo (o social), uma rota não-linear é criada: a percepção da própria subjetividade. Nesta rota alternativa às imposições, podemos encontrar os trabalhos de Fefa Lins, Clara Moreira e Juliana Notari, que trazem a ideia da construção do corpo enquanto ponto de partida em seus fazeres artísticos”, anotam a equipe da galeria e a co-curadora Heloísa Amaral Peixoto no texto de apresentação. A proposição Corpus-Lócus parte dessa tríade central de artistas para reunir outros criadores e narrativas dissidentes (fora do eixo Sul-Sudeste) em torno da reflexão do que pode um corpo no mundo.

Choque Cultural na SP-Arte 2022

9ª – Choque Cultural
Descolonizar é preciso! A galeria começa por descolonizar o espaço sacralizado da arquitetura modernista com um contêiner cheio de obras de neon, de autoria de Alê Jordão. Em seguida, um grupo de trabalhos do artista Sergio Adriano H escancara a necessidade de ampliar o pensamento descolonial para os campos da educação e da religião. Mariana Martins e o coletivo Bijari também comparecem com obras contundentes, ao lado das muito sugestivas pintura Imagens Ilustrativas (2020), de JACA, e fotomontagem Jornada do Alumbramento de Apollo (2010-2016), de Penna Prearo. Estande matador!

Verve na SP-Arte 2022

10ª – Verve
Projeto solo de Daniel Acosta na mosca! Artista incontornável da geração 90, Acosta impregna a fórmica, os laminados pré-moldados que definiram o cotidiano moderno nos anos 1970, de muito humor e crítica, compondo com ela paisagens, abstrações, representações deliberadamente cafonas e estilizadas de animais e peças modulares que saltam da parede. Não deixe de conferir a instalação do artista gaúcho que está exposta ni piso térreo, na curadoria de Ana Carolina Ralston, que versa sobre a natureza. Daniel Acosta é um naturalista da artificialidade escancarada, crítico mordaz da vida contemporânea. 

Tags:

Nota de esclarecimento: A Três Comércio de Publicações Ltda., empresa responsável pela comercialização das revistas da Três Editorial, informa aos seus consumidores que não realiza cobranças e que também não oferece o cancelamento do contrato de assinatura mediante o pagamento de qualquer valor, tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A empresa não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças.