TOP5 estandes na ArtSampa

seLecT percorre a nova feira paulistana, que acontece até domingo na Oca, e entrega os 5 espaços imperdíveis para você aproveitar a visita 

Juliana Monachesi, Luana Rosiello

Publicado em: 18/03/2022

Categoria: Da Hora, Destaque, Mercado de Arte

À esquerda, registro de performance de Gervane de Paulo; à direita, obra Arte Aqui Eu Mato (2018), na ArtSampa

MT Projetos de Arte [RJ]
Heitor dos Prazeres, Gervane de Paula e Jota compartilham uma única parede no estande da MT Projects. Pintada em um tom terroso claro, a parede se destaca da arquitetura caiada da Oca, criando um território próprio. Nesse território a arte insurgente do cuiabano Gervane de Paula, Arte Aqui Eu Mato (2018), mistura ex-votos com combine painting para retratar um Brasil profundo que São Paulo pouco conhece, mas que o veterano artista, que participou da mítica  exposição Como Vai Você, Geração 80? (Parque Lage, 1984), segue problematizando com toda a sobriedade que o tema exige, e escancarando diante de olhos atônitos onde quer que sua arte o leve, como as recentes Trienal Frestas (2017) e Panorama MAM (2019).

Obras de Matheus Marques Abu na ArtSampa, 2022

Galeria Karla Osorio [DF]
Dando continuidade às homenagens e problematizações descoloniais à Semana de Arte Moderna de 1922, Moisés Patrício e Verena Smit ocupam o estande da Galeria Karla Osório, com destaque para produção potente do artista autoditada Matheus Marques Abu. Sua produção em pintura investiga a ancestralidade, espiritualidade e a diáspora africana no Brasil, colocando em perspectiva a história colonial e suas reverberações no cotidiano de pessoas racializadas e periféricas. O díptico Rio Carioca (2022) resgata questões da cultura africana, como a importância dos Adinkra. Trazidos ao Brasil pelos escravizados, esses ideogramas eram esculpidos, sobretudo, em portões e janelas do Brasil imperial, por ferreiros negros escravizados, compondo uma forma específica de comunicação e resistência à subalternidade. Resgatar essa linguagem por meio da arte é desafiar os regimes de visibilidade dominantes e o cânone da história geral eurocêntrica, trazendo à tona, dentro de uma feira de arte, uma história única e invisível aos olhos de quem vê.

Vista do estande da Aura/Bailune Biancheri

Aura / Bailune Biancheri [SP]
A parceria entre as galerias se materializa entre paredes amarelas claras, com obras de Talles Lopes, Rommulo Vieira Conceição, Talita Hoffmann, Renato Pera, Eduardo Montelli, Douglas Ferreiro e Lucas Lugarinho. A proposta curatorial do espaço, idealizada por Tarcísio Almeida, aposta no diálogo entre as obras em exposição, trabalhando as diferenças de linguagem e temática. 

Obra de Rafael Alonso

Athena [RJ]
Aqui a opção pelo “solo project” é decisiva: dedicar todo o estande à pesquisa pictórica de Rafael Alonso traz um frescor para quem passei pela ArtSampa. Alonso investiga e vira mesmo do avesso o cânone abstrato, criando displays à la Haim Steinbach para desestabilizar qualquer apreensão “naturalizada” do objeto-pintura. As pinturas objetivos do artista carioca afirmam sua presença no mundo por meio de cores gritantes, artificiais, combinadas de um jeito autoral e ultracontemporâneo, que insere perspectiva e profundidade em campos de cor que deveriam ser “neutros”, sugere figuras onde pareceria haver “apenas” abstração 3, por fim, coloca para circular essa linguagem no mundo das coisas e em diálogo com a vida.

Obras de Desali, na ArtSampa

Rodrigo Ratton Galeria [BH]
Muito bem calibrado o espaço dedicado às obras de Desali, Maria Lira Marquês e Geraldo Cabueta, que encontram um diálogo profícuo na proximidade respeitosa, um abordando o cotidiano urbano, outra resgatando formas ancestrais e o último mobilizando o repertório “popular” de forma sofisticada, impregnando sua figuras em madeira de personalidades distintas, como a afirmar que a diversidade e a adversidade nos marcam, nos definem e nos fortalecem.

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