O triângulo da invenção

Exposições no Museu Afro Brasil problematizam relações entre Brasil, Portugal e países africanos

Um dos artistas que participaram da exposição Portugal Portugueses foi Yonamine, com o trabalho Pão Nosso de Cada Dia (2016) (Foto: Lúcia Conceição, Cortesia Cristina Guerra Contemporary Art, Lisboa)

Em diversas ocasiões, Emanoel Araujo, diretor-curador do Museu Afro Brasil, em São Paulo, estimulou a reflexão sobre as relações sociais, culturais e políticas entre Brasil, Portugal e países africanos de língua portuguesa, com a curadoria de importantes exposições.

“A iniciativa de exibir manifestações criativas nascidas no triângulo da invenção – eixo geográfico que envolve Portugal, África e Brasil – busca estimular a reflexão sobre esses territórios e comunidades densamente marcados pela alma portuguesa, marcados pelos percalços da colonização, às vezes perversa, dominadora, criadora de sincretismos. Por muitas razões os países formadores dessa lusofonia estão associados e unidos. Somos muito mais que afilhados de uma mesma língua. A língua, a história, as conquistas, a memória, a ancestralidade, esse desejo incomensurável de liberdade poderiam ser a razão mais direta dessa união e, por consequência, dessas exposições”, diz Emanoel Araujo à seLecT.

  • 1. Barroco Ardente e Sincrético - Luso-Afro-Brasileiro 3/8/17 - 3/12/17. Atualmente em cartaz, esta exposição com 400 obras passeia pelas múltiplas manifestações do barroco em Portugal e no Brasil. Com referências às manifestações eruditas e populares do movimento artístico do século 17, a mostra presta homenagem ao Jubileu de 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Encontram-se nos espaços do Museu Afro Brasil artistas anônimos e celebrados pela historia da arte, como Aleijadinho e Mestre Valentim. Na imagem, entalhe de Mestre Valentim realizado no Séc. XVII (Foto: Jailton Leal)
  • 2. Portugal Portugueses – Arte Contemporânea - 8/9/16 - 8/1/17. Esta exposição foi a segunda parte de uma trilogia desenvolvida em homenagem às raízes africanas, portuguesas e indígenas do Brasil. Com o passado colonial e escravocrata redesenhado na perspectiva contemporânea, a exposição traçou um panorama das influências interculturais de Portugal, África e Brasil, com mais de 40 artistas, entre eles Ana Vieira, Artur Barrio, Antonio Manuel, Francisco Vidal, Joana Vasconcelos, José Pedro Croft, Rui Calçada Bastos, Maria Helena Vieira da Silva e Yonamine. Na imagem, a instalação Feijoeiro (2004) de João Pedro Vale & Nuno Alexandre (Foto: Simon Shaput)
  • 3. José de Guimarães - O Ritual da Serpente: 10 Guaches Inspirados na Obra de Aby Warburg - 6/9/14 - 31/12/14. Individual de José de Guimarães, bastante conhecido pelo uso de cores saturadas, que criou para a comemoração dos dez anos do Museu Afro Brasil uma série de guaches em interpretação da obra do historiador Aby Warburg, explorando a iconografia da serpente. Na imagem, guache da série Ritual da Serpente, feita em 2014 por José de Guimarães (Foto: Divulgação)
  • 4. O Poder Tradicional – Reis e Sobas em Angola - 8/9/16 - 9/7/17. Individual do pernambucano Manuel Correia, primeiramente exibida dentro da mostra Portugal Portugueses, mas prorrogada por seis meses. O trabalho é formado por uma série de fotografias realizadas em viagens por Angola, enfocando as figuras responsáveis pela proteção e liderança de suas comunidades, denominadas “sobas”. Na imagem, fotografia de Manuel Correia, da série Reis (Foto: Manuel Correia)
  • 5. A Serpente no Imaginário Artístico - 6/9/14 - 31/12/14. Simultaneamente à individual de José de Guimarães, o MAB também montou a exposição coletiva A Serpente no Imaginário Artístico, tendo em vista a riqueza de leituras simbólicas e arquetípicas do animal. Entre os artistas, Carybé, Francisco Graciano, Gilvan Samico, Kifouli Dossou e Mestre Didi. Na imagem, xilogravura O Devorador de Estrelas (1999), de Gilvan Samico (Foto: Henrique Luz)
  • 6. Título: Sangue e Água – Percursos no Bom Jesus de Braga - 12/10/12 - 31/12/12. Trinta fotografias do português Manuel Correia retratando a cidade de Braga, centro de devoção popular em Portugal. As imagens apresentam vestígios da presença do Império Romano e a arquitetura religiosa. O livro da série foi lançado pelo artista um ano antes, em Portugal. Na imagem, fotografia de Manuel Correia, da série Sangue e Água (Foto: Manuel Correia)
  • 7. Elos da Lusofonia - 15/4/11 - 29/5/11. A produção de arte de países que falam português foi o foco de Elos da Lusofonia, que colocou em comunicação trabalhos de Angola, Brasil, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe. Também foi abordada a ligação dessas nações com a arte ancestral de povos como os Bijagós, de Guiné-Bissau, os Makonde, de Moçambique, e os Quioco, de Angola. Participaram António Olé, Fernando Lemos, Francisco Brennand, Matias Ntundu e Rubem Valentim, entre outros. Na imagem, registro de montagem da exposição Elos da Lusofonia (Foto: João Liberato)

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