Urbes do Sul

Compilação de artigos reflete sobre história urbana das cidades sul-americanas, a partir de suas manifestações culturais

Luana Fortes
Interior do Teatro Oficina de acordo com o projeto de Lina Bo Bardi e Edson Elito (Foto: Tuca Vieira)

Em 1982, o historiador norte-americano Richard Morse (1922-2001), especializado em América Latina, publicou As Cidades “Periféricas” Como Arenas Culturais. O autor encontrou na chamada periferia do mundo (no título do livro, entre aspas) cidades mais intensas e interessantes do que no centro. A coleção de artigos Cidades Sul-americanas Como Arenas Culturais, recém-lançada no Brasil pela Edições Sesc São Paulo, tem como ponto de partida a sofisticada compreensão de Morse a respeito das urbes da América do Sul, que enxerga na cultura a possibilidade de abertura para um entendimento mais complexo sobre espaços urbanos.

Organizada por Adrián Gorelik e Fernanda Arêas Peixoto, a publicação reúne textos de 25 autores de diferentes áreas, com abordagens e linguagens diversas. O leitor pode facilmente impressionar-se com um artigo e deixar que outro passe batido. O interesse é maior conforme a relação de familiaridade que se tem com a cidade analisada. Independentemente disso, a compilação é bastante bem-sucedida ao apontar para as interlocuções entre cultura e urbanismo.

A coletânea é dividida cronologicamente entre cinco capítulos e traz dez textos dedicados ao Brasil. Há também um sensível ensaio de Eduardo Kingman Garcés sobre Quito, capital do Equador, além de abordagens sobre Bogotá, Buenos Aires, Caracas, Córdoba, La Plata, Lima, Montevidéu e Santiago. Ao ler os quatro artigos que se debruçam sobre São Paulo, chama atenção o contraste entre o primeiro e o último deles. Enquanto um trata sobre um grande símbolo de modernidade do País, a Avenida Paulista, o outro destaca a relevância de uma companhia de teatro para a revitalização de um espaço marginalizado. Paulo César Garcez Marins fala sobre a disputa das elites cafeeiras e imigrantes pelo controle da primeira via paulistana a ganhar a nomenclatura das avenues parisienses. E quem encerra o livro é Guilherme Wisnik com Oficina: Um Teatro Atravessado Pela Rua, que atenta para o resgate da vitalidade cultural do bairro do Bexiga propiciado pelo Teatro Oficina, depois da construção do Minhocão, entre 1960 e 1970. “É na esguia porção de sertão da Rua Jaceguai, 520, que a cidade-empresa neoliberal dos nossos dias encontra, em São Paulo, o seu lugar de maior contestação. Ela é o seu Waterloo, ou melhor, o seu Canudos”, escreve Wisnik.

Livros
Cidades Sul-Americanas Como Arenas Culturais
Org. Adrián Gorelik e Fernanda Arêas Peixoto, Edições Sesc São Paulo, 2019, R$ 85

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