Velocidade máxima

Coleção de vídeos de instituição alemã ganha exposição em SP. Montagem ressalta volatilidade das obras e da cultura visual contemporânea

Paula Alzugaray
Still do vídeo APEX (2013), de Arthur Jafa (Foto: Cortesia do Artista, Gavin Brown's Enterprise, NY/Roma)

O mineiro Rodrigo Moura, anunciado esta semana como o novo curador chefe do Museo del Barrio, em Nova York, despede-se do Brasil com duas mostras importantes, Djanira: A Memória de seu Povo, no Masp, e O Tempo Mata, no Sesc Avenida Paulista. O recorte produzido sobre a coleção da alemã Julia Stoschek é uma oportunidade de ver obras de primeira grandeza da produção artística em vídeo, filme e novas tecnologias, pouco acessíveis no Brasil.

O título da mostra, tradução de Time Kills, é extraído de um frame de um vídeo de Chris Burden, pioneiro da videoarte norte-americana. O artista, aqui representado pelo vídeo The TV Commercials (1973-1977), é mais conhecido pela videoperformance Shoot (1971), em que se submete ao um tiro de espingarda, numa analogia ao poder de fogo das câmeras. Os trabalhos em exibição foram produzidos nos últimos 60 anos, desde que a imagem – eletrônica e digital – começou a assumir protagonismo na vida contemporânea. “É menos uma questão de técnica e mais de genealogia. Trata-se de pensar como esses trabalhos refletem sobre um mundo inundado de imagens que alteraram nossa percepção”, diz o curador Rodrigo Moura.

  • Still do vídeo APEX (2013), de Arthur Jafa (Foto: Divulgação)
  • Still do vídeo APEX (2013), de Arthur Jafa (Foto: Cortesia do Artista, Gavin Brown's Enterprise, NY/Roma)
  • Still do vídeo APEX (2013), de Arthur Jafa (Foto: Cortesia do Artista, Gavin Brown's Enterprise, NY/Roma)

O vídeo APEX (2013), de Arthur Jafa, que foi diretor de fotografia de longas de Spike Lee e Stanley Kubrick, é o ponto de partida de um mergulho na correnteza forte da cultura visual contemporânea. Descrita pelo curador como “uma instalação imersiva que hipnotiza o espectador com sua sequencia de centenas de imagens ordenadas ao som de uma trilha sonora de música eletrônica”, a peça é uma colagem de imagens de ícones da cultura afro-americana e “possibilita uma profunda meditação sobre as relações raciais e sua representação visual”.

  • Still de Destroy She Said (1998), de Monica Bonvicini (Foto: Cortesia da Artista)
  • Still de Destroy She Said (1998), de Monica Bonvicini (Foto: Cortesia da Artista)
  • Still de Destroy She Said (1998), de Monica Bonvicini (Foto: Cortesia da Artista)

Outro grande arquivo visual é Destroy She Said (1998), videoinstalação de Monica Bonvicini, construída com fragmentos de filmes clássicos dos anos 1960. Esta pode ser considerada outra obra chave da exposição, pois o mesmo critério adotado pela artista para a seleção das imagens foi usado pelo curador para a montagem da mostra. Bonvicini usa imagens de personagens femininas em situações de grande carga emocional, interagindo dramaticamente com os espaços arquitetônicos dos cenários dos filmes. Moura optou por uma montagem em que os vídeos escapam às previsíveis projeções em salas escuras, se espalhando pelo edifício do Sesc, ocupando espaços improváveis, como a fachada, as janelas, o mezanino. “Me senti desafiado a trabalhar com a arquitetura, oferecendo diferentes formas de fruição ao espectador”, diz ele. O resultado é uma fricção entre as imagens e o espaço, fazendo da exposição uma experiência sensorial e, por que não, sensual.

Serviço
O Tempo Mata – Imagem em movimento na Julia Stoschek Collection
SESC Avenida Paulista
Av. Paulista, 119 – São Paulo
até 16/6
sescsp.org.br/avpaulista

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