Verão Sem Censura leva à São Paulo 45 atividades gratuitas

Festival pretende acolher manifestações culturais oprimidas e demarcar uma posição em favor da liberdade de expressão

Luana Fortes
Desfile da grife Daspu (Foto: Daniela Pinheiro)

Tendo como mote a celebração da democracia e da liberdade de expressão, o festival Verão Sem Censura leva à cidade de São Paulo 45 atividades culturais gratuitas ao longo de 15 dias, como shows, peças de teatro, exibições de cinema, exposições, debates, performances e carnaval. Promovido pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, o evento pretende acolher manifestações oprimidas e fazer resistência às ações desestruturantes da cultura.

“É uma medida de valorização da nossa cultura”, afirma Alê Youssef, secretário de cultura de São Paulo. “Uma resistência que luta pelo bem mais valioso da nossa cultura, a liberdade de expressão”.

O festival tem início na sexta-feira, 17, às 20h, com show de Arnaldo Antunes, seguido de conversa com Déborah Secco e Raquel Pacheco e exibição do filme Bruna Surfistinha. O longa dirigido por Marcus Baldini foi criticado por Jair Bolsonaro em julho de 2019, quando ele anunciou a transferência do Conselho Superior do Cinema da estrutura do Ministério da Cidadania para a Casa Civil. “Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não somos contra essa ou aquela opção, mas o ativismo não podemos permitir, em respeito às famílias”, disse o presidente do Brasil.

Após a exibição do filme, acontece às 00h o desfile da Daspu, grife dedicada a reivindicações de prostitutas, criada em 2005 pela escritora e prostituta Gabriela Leite, também fundadora do movimento organizado de prostitutas no Brasil. Para a ocasião, a Daspu se une com a marca Ken-gá Bitchwear. O desfile se inicia com Renata Carvalho, que traz um trecho da peça O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Rainha do Céu, e conta com a participação de Erika Hilton, deputada estadual da bancada ativista, das atrizes Leona Jhovs e Veronica Valentino e da artista Fabiana Faleiros, que homenageia a madrinha das putas Elke Maravilha em uma performance.

  • Linn da Quebrada (Foto: Divulgação)
  • Retrato do grupo Pussy Riot em fotografia de Igor Mukhi

A programação, que vai até dia 31/1, inclui também um show da banda punk e coletivo de artistas russas e feministas Pussy Riot, com participação da cantora e compositora brasileira Linn da Quebrada, no dia 30/1, em frente ao Centro Cultural São Paulo.

Em 29/1, às 19h, acontece ainda a exibição do filme Act And Punishment, de Yevgeni Mitta, sobre a trajetória do grupo Pussy Riot, um debate às 20h30 com integrantes da banda e o lançamento do livro Riot Days, de Maria Alyokhna, uma das fundadoras do grupo.

Ao longo do festival, o CCSP apresenta uma exposição com cartazes de filmes censurados. No fim do ano passado, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) decidiu retirar todos os cartazes de filme nacionais que estavam expostos desde 2002 na sede da instituição, no Rio de Janeiro, e do site.

Confira a programação completa do Verão Sem Censura abaixo:

Praça das Artes
17/01
20h00 Arnaldo Antunes
18/01
21h30 Conversa com a Déborah Secco e Raquel Pacheco
22h00 Exibição do filme “Bruna Surfistinha” – Classificação Indicativa: 16 anos
00h00 Daspu – Desfile de abertura
00h30 Desculpa Qualquer Coisa com performance das Maravilhosas Corpo de Baile

Centro Cultural São Paulo
17 a 31/01
Exposição “Corrompidas” de Felipe Cama – Piso Caio Gracco
17 a 31/01
Instituto Temporário de pesquisa sobre censura – Sala de ensaio II e sala de vidro.
A Casa 1 (casa de cultura e acolhimento LGBT) propõe um mergulho crítico sobre a trajetória da
censura com: aulas públicas, grupo de estudos aberto, gráfica e construção de acervo de livros e
pesquisas sobre o tema.

17/01
21h Caranguejo Overdrive – Aquela Cia de Teatro
18/01
21h Caranguejo Overdrive – Aquela Cia de Teatro
19/01
15h Vida Invisível – Sala Lima Barreto
17 a 31/01
Exposição com cartazes de filmes censurados

18/01 – Circuito Spcine
16h Sessão de curtas LGBT
Vando Vulgo Vendita
O Órfão
Preciso dizer que te amo
Reforma
Tea for two
Swinguerra

19 /01 – Circuito Spcine
15h Corpo Elétrico
17h Sessão de médias
Verona
Nova Dubai
19h Bixa Travesty

19/01
20h Caranguejo Overdrive – Aquela Cia de Teatro

29/01
19h Exibição do longa metragem “Act and Punishment” de Yevgeni Mitta sobre a
trajetória do grupo Pussy Riot.

20h30 Debate com as integrantes da banda Pussy Riot – Sala Adoniran Barbosa (distribuição de
ingressos 2h antes)

21h Lançamento do livro “Riot Days” de Maria Alyokhna fundadora do grupo Pussy Riot. Tradução
de Marina Damaros.

30/01
18h Jup do Bairro convida Bixarte – Sala Adoniran Barbosa

Em frente ao CCSP – Rua Vergueiro – Altura do nº 1200
30/01
20h Pussy Riot com participação de Linn da Quebrada

Biblioteca Mário de Andrade
17/01 a 31/01
19h – Banidos – Obras censuradas no decorrer de três séculos fazem parte dessa exposição do acervo de raridades da Biblioteca Mário de Andrade.
No dia da abertura, 17 de janeiro, 19h, bate-papo vai reunir Ignácio de Loyola Brandão e Laura Mattos. Moderação: Maria Fernanda Rodrigues

18 e 19/01
19h – O Caderno Rosa de Lori Lamby – Peça baseada em obra homônima de Hilda Hilst. Iara Jamra vive o papel, com direção geral de Bete Coelho e direção de arte de Cassio Brasil.
21/01
19h – Cabaré da Fossa – Entre o humor e o drama, essa leitura homoerótica inclui também canções e cenas de filmes e ficará a cargo de Caetano Romão, Ismar Tirelli Neto e Ricardo Domeneck, com a especialíssima participação de Horácio Costa.
19h – Uma aula sobre 1984– O romance distópico de George Orwell, um dos livros que mais nos fizeram discutir sociedades totalitárias, acaba de completar 70 anos e será apresentado pela historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, autora do recente Sobre o autoritarismo.
23/01
19h – Erotismo censurado – Uma história de autores e obras malditos, de Sade a Hilda Hilst, será apresentada nesta aula de Eliane Robert Moraes, filósofa e ensaísta, uma das mais destacadas especialistas em literatura erótica e proscrita. Trechos escolhidos serão lidos pela atriz Helena Ignez.

24, 25 e 26/01
19h – Navalha na Carne Negra – A peça de 1967 foi vetada pela ditadura, e seu autor, Plínio Marcos, chegou a ter a integralidade de sua obra banida dos palcos. Em cena, tudo começa com o dinheiro deixado pela prostituta Neusa Sueli para seu cafetão Vado. Com Lucélia Sérgio, Raphael Garcia e Rodrigo dos Santos, e direção de José Fernando Peixoto de Azevedo.

25/01
das 10h às 13h, das 14h às 17h – Oficina de poesia sem censura, com Angélica Freitas – Neste laboratório, comandado pela poeta Angélica Freitas (Rilke Shake, 2007; Um útero é do tamanho de um punho, prêmio APCA 2012) os participantes utilizam o caderno como espaço de experimentação para aguçar suas habilidades poéticas. 20 vagas, oficina sequencial, das 10h às 13h, das 14h às 17h.
28/01
19h – Proibidas – A revista literária “Puñado”, editada por um coletivo de mulheres, vai fazer um clube de leitura especial, com trechos de autoras latino-americanas brancas e negras que foram censuradas, proibidas ou sofreram resistência, seja pelo teor político, seja pelo teor moral. Com Laura Del Rey e Raquel Dommarco Pedrão, organizadoras da Puñado, e as convidadas Hailey Kaas, Jéssica Balbino, Luciana Bento e Vanessa Ferrari.

29/01
19h – Marighella – Personagem da história política brasileira que enfrentou censura tanto em vida quanto após sua morte é o tema desse diálogo que reúne o escritor e jornalista Mário Magalhães, autor de sua biografia, e Maria Marighella, sua neta, que está à frente do relançamento de volume de escritos, Chamamento ao povo brasileiro. Moderação: Rodrigo Casarin.

30/01
19h – Mulheres nos anos de chumbo – As romancistas Claudia Lage e Maria Valéria Rezende e a historiadora Maria Claudia Badan Ribeiro conversam sobre a escrita ficcional e historiográfica que reconstitui a atuação feminina e a repressão de 1964 à reabertura política. Participação especial de Adelaide Ivánova, que apresentará duas performances. Mediação: Robson Viturino

30 e 31/01
19h – Calabar, o elogio da traição – Por uma década ficou censurada esta peça de teatro musicada de Chico Buarque e Ruy Guerra que recupera a figura de Domingos Fernandes Calabar, que tomou partido dos holandeses, contra a coroa portuguesa, durante a Insurreição Pernambucana. Esta adaptação para leitura dramática, com onze atores e três músicos, é assinada por Renata Palottini e é um projeto do Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura, da ECA-USP. Direção de Roberto Ascar e direção musical de Jean Garfunkel.

Centro Cultural Olido
17, 18 e 19/01 – Sala Paissandu
18h Abrazo – Grupo Clowns de Shakespeare
17, 18 e 19/01 – Sala Olido
21h Gritos – Cia Dos à Deux

Centro Cultural da Diversidade
18/01
21h A Mulher Monstro – S.E.M. Cia de Teatro
19/01
19h A Mulher Monstro – S.E.M. Cia de Teatro
25/01
21h Sombra – Teatro da Pomba Gira
26/01
19h Sombra – Teatro da Pomba Gira

Teatro Flávio Império
18/01
20h O Crime da Cabra – Cia do Sal

19/01
19h O Crime da Cabra- Cia do Sal
29/01
20h Lembro Todo dia de Você – Núcleo Experimental
30/01
20h Lembro Todo dia de Você – Núcleo Experimental

Vila Itororó
18 e 19/01
15h Blitz, o império que nunca dorme – Trupe Olho da Rua

25 e 26/01
20h Quando Quebra Queima – Coletiva Ocupação

Centro Cultural da Juventude
17 e 18/01
20h Domínio Público
22/01
20h Res Pvblica 2023 – Grupo A Motosserra Perfumada
23/01
20h Res Pvblica 2023 – Grupo A Motosserra Perfumada

Centro de Culturas Negras
25 e 26/01
16h Macacos – Cia do Sal

Praça Ramos de Azevedo
31/01
23h Cortejo com a Espetacular Charanga do França
00h Festa com Tarado Ni Você
01h Minhoqueens

Theatro Municipal
17/01
23h Rennan da Penha (Sacada)

29/01
20h Divinas Divas

31/01
19h Roda Viva
22:30 Concentração da Espetacular Charanga do França (Na frente do Theatro)
23h Cortejo: Roda Viva e Espetacular Charanga do França

OBS.: Todas as apresentações de teatro serão seguidas de mediação.

PARCERIA
CASA 1

17 a 31/01
Projeto Instituto Temporário de pesquisa sobre censura – um mergulho crítico sobre a trajetória da censura

ENDEREÇOS
Biblioteca Mário de Andrade: Rua da Consolação, 94 – República
Centro Cultural da Diversidade: Rua Lopes Neto, 206 – Itaim Bibi
CCJ- Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso – Av. Dep. Emílio Carlos, 3641 – Vila dos Andrades
Centro Cultural Olido: Av. São João, 473 – Centro Histórico de São Paulo
Centro Cultural Santo Amaro: Av. João Dias, 822 – Santo Amaro
CCN- Centro de Culturas Negras – Mãe Sylvia de Oxalá: Rua Arsênio Tavolieri, 45 – Jabaquara
CCSP: Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso
Praça das Artes: Av. São João, 281 – Centro Histórico de São Paulo
Teatro Décio de Almeida Prado: R. Lopes Neto, 206 – Itaim Bibi
Teatro Flávio Império: Rua Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaíba
Tendal da Lapa: Rua Guaicurus, 1100 – Água Branca
Theatro Municipal: Praça Ramos De Azevedo, s/n – República
Vila Itororó – Rua Pedroso, 238 – Bela Vista

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicações Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.