Visível e transversal

Oito artistes em mostra na OM.art, no Rio de Janeiro, colocam em cena experiência negra, periférica e múltipla

Paula Alzugaray

Publicado em: 22/10/2021

Categoria: Da Hora, Destaque, Reviews

Tudo Nosso, Nada Deles (2021, de Filipe Cordon

Quando inaugurou seu project space, em 2018, reunindo Ayrson Heráclito, Opavivará, Luciana Magno e Solon Ribeiro em torno da Rhodislandia de Hélio Oiticica, Oskar Metsavaht imprimiu ao espaço uma identidade experimental, sensorial e colaborativa. Em setembro último, um ano e meio depois da grande paralização da pandemia da Covid-19, o studio OM.art retomou as atividades com um projeto que confirma seu impulso inicial, trazendo como novas variantes, a diversidade e o debate sobre desigualdades.

Vazar o Invisível coloca em cena no Hipódromo da Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a experiência negra e periférica expressa na obra de oito artistes: Deize Tigrona, Filipe Cordon, Gabriella Marinho, Jefferson Medeiros, Lidi de Oliveira, Osmar Paulino, Raphael Cruz e Rainha F.

“Reunir artistes de diferentes poéticas, com diferentes marcadores raciais e sociais, requer uma mobilização de corpo pedagógico, afetuoso e ético”, diz à seLecT Camilla Rocha Campos, que assina curadoria da exposição com Raquel Barreto. “Temos o desafio de realizar um trabalho coletivo olhando, ao mesmo tempo, para o respeito e a integridade de cada artista. O público e as instituições de arte precisam ver e lidar com a multiplicidade que somos”.

Idealizada por Jefferson Barbosa, integrante do PerifaConnection (“plataforma de disputa de narrativa das periferias”), Ernesto Neto e Oskar Metsavaht, o projeto começou a ser gestado em conversas há dois anos. “Como espectador, visitei o espaço algumas vezes e achei interessante estarmos ali porque é um universo paralelo ao nosso, dos artistas da periferia”, diz Jefferson Barbosa. “É muito simbólico. É como se essa exposição fosse um rolezinho“.

É como criar uma transversal onde só havia ruas paralelas. Vazar o Invisível, como o próprio título sugere, “propõe romper fronteiras invisíveis que existem em nossa sociedade”, diz Metsavaht. Diálogo posto, todas as obras foram comissionadas especificamente para a exposição e os artistes tiveram acompanhamento de dois meses da curadoria. A visualidade resultante atesta os limites que vazam.

Frame da videoinstalação É Preciso Inserir Preto (2021), de Osmar Paulino

Detalhe de Livro de Pau (2021), de Deize Tigrona

Barro e Cerâmica (2021), de Gabriella Marinho

Mareio (2021), de Raphael Cruz

Um Caminho com Voltas (2021), de Lidi de Oliveira

Segura (2021), de Jefferson Medeiros

Vazar o Invisível

Até 31/10, OM.art, Rua Jardim Botânico 997, Rio de Janeiro

Lotação: 20 lugares. Uso de máscara facial obrigatório

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