Voltar, com segurança

Pesquisa realizada por Itaú Cultural e Datafolha revela que maioria da população quer retomar atividades culturais, depois de liberadas

Da redação

Publicado em: 08/10/2020

Categoria: Da Hora, Destaque

Apresentação da pesquisa Hábitos Culturais Pós Pandemia (2020), do Itaú Cultural e do Datafolha (Foto: Divulgação)

Comunicar e demonstrar o cuidado com os protocolos de segurança sanitária são fatores determinantes para que a população se sinta impelida a voltar a frequentar espaços culturais, após o período de suspensão social. Essa é uma das principais conclusões da pesquisa “Hábitos Culturais Pós Pandemia e Reabertura das atividades Culturais”, realizada pelo Itaú Cultural e o Datafolha. 

O estudo foi realizado com 1521 pessoas de todas as regiões brasileiras e classes econômicas, na faixa etária entre 16 e 65 anos, nas primeiras semanas de setembro. Importante pontuar de antemão que a imensa maioria dos entrevistados (46%) se autodeclararam de cor parda, contra brancos (32%) e outros (25%).

Uma notável maioria de 66% dos entrevistados declarou ter a intenção de realizar alguma atividade cultural – entre cinema, shows, bibliotecas, circo, museu, sarau etc – após a instauração da fase verde para os equipamentos culturais. “A expectativa é elevada em todos os perfis, mesmo entre os grupos mais ou menos isolados durante a pandemia”, afirma Paulo Alves, gerente de pesquisa de mercado do Datafolha. 

Chama a atenção a expectativa de consumo cultural pós-pandemia ser mais alta do que os 52% que declararam ter realizado atividades culturais nos últimos 12 meses. Essa variação poderia ser indicativa de uma predisposição maior à arte e à cultura – e à socialização por meio delas – como um efeito direto da pandemia da Covid-19. 

Outro aspecto transcendente, que emerge dos números levantados, é a maior disposição do público cultural em frequentar espaços em seus próprios bairros, sem ter que se deslocar via transporte público. Isso explicaria o fato de bibliotecas e cinemas estarem entre as atividades que o público tem mais intenção de voltar a frequentar – pois são os equipamentos com distribuição regional mais generosa.

Mas este indicativo também poderia servir de diretriz para os gestores culturais preocupados com o acesso e a distribuição democrática da Cultura. “Mais do que acentuar a importância das cenas locais, isso indica a necessidade de as pessoas serem protagonistas dessas atividades”, aponta Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural.

Cinema (30%) e shows (24%) são as atividades que as pessoas mais sentiram saudades. Museus (3%) e centros culturais (4%) se mostraram menos determinantes na vida das pessoas – o que também indica um longo e importante caminho a trilhar pelo circuito das artes visuais. Voltar a frequentar espaços fechados é outro tabu. Apenas 39% se dizem seguros, sendo que 84% disseram que passariam a frequentar atividades culturais em locais ao ar livre. A rua, felizmente, desponta como o espaço cultural por excelência na vida brasileira.

Nesta quinta-feira, 8, o Itaú Cultural contabiliza 205 dias de suspensão de suas atividades presenciais. Espera-se para amanhã, sexta-feira, 9, o pronunciamento da Prefeitura de São Paulo sobre a entrada ou não dos equipamentos culturais na fase verde.

Nas próximas semanas, o instituto divulgará a segunda parte da pesquisa, abordando os hábitos culturais virtuais adquiridos durante o isolamento social.

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