Rafael BQueer amplifica a Amazônia drag em sessão de cinema

Themônias na telona marcam o Dia da Visibilidade Trans em São Paulo

Luana Rosiello

Publicado em: 28/01/2022

Categoria: Da Hora, Destaque

Still de Hierogritos (Foto: David Pacheco)

“Um projeto de exaltação da cena artística drag na Amazônia”, afirma Rafael BQueer sobre os quatro curtas-metragens inéditos que são exibidos neste sábado, 29/1, Dia da Visibilidade Trans, no IMS Paulista.

Como resultado da Bolsa ZUM/IMS 2020, BQueer produziu uma série de filmes sobre o corpo amazônico, contornando a cena cultural artística Rio-São Paulo ao evidenciar os ataques e as disputas de política identitária na região Norte do país. Os curtas, protagonizados pelos integrantes do coletivo Themônias que completa oito anos em 2022 e amplia exponencialmente sua atuação política e cultural -, criam uma narrativa ficcional e distópica por meio do diálogo entre imagens que exaltam o poder da cena LGBTQIA+ na Amazônia.

Destaques da seLecT #49, de janeiro de 2021, o artista e o coletivo foram apresentados, respectivamente, por Paula Alzugaray e pelo próprio BQueer. “Quando Gaby Amarantos lançava seu primeiro disco-solo, Treme, levantando um terremoto na música pop nacional, Rafael BQueer cursava Artes Visuais na Universidade Federal do Pará (UFPA) e trabalhava havia quatro anos como assistente de carnavalesco em Belém. Mas, naquele ano de 2012, o jovem artista também assinou seu primeiro projeto-solo na escola de samba Quem São Eles, com um enredo sobre o bairro do Umarizal. Esses três vértices – o tecnobrega, o Carnaval e a produção de conhecimento na universidade – são pilares da poética combativa e empoderada de BQueer. Ao problematizar as narrativas hegemônicas, buscando superar processos coloniais, sua obra aporta para a arte contemporânea brasileira e paraense as visualidades afro-indígenas da região”, apresenta Alzugaray na abertura da seção Portfólio dedicada ao artivista, que também estampa a capa da revista.

Still de Torre de Babildre (Foto: David Pacheco)

Dessa poética empoderada e empoderadora, desaguam agora os quatro curtas que entram em cartaz no cinema do IMS Paulista. O primeiro filme, intitulado O Nascimento (2021), apresenta a artista Uhura BQueer como drag alienígena em uma floresta calcinada pelas chamas do fogo; A Bela É Ploc (2021), segundo curta da quadrilogia, apresenta a drag Tristan Soledade em uma performance de bate-cabelo no Palacete Bolonha, edifício construído na capital paraense no início do século 20, confrontando a narrativa desenvolvimentista da belle époque amazônica com a subalternidade latinx que se engalfinha com as elites racistas sem jamais perder a elegância; em Torre de Babildre (2021), terceiro filme, a artista Monique Lafond utiliza a dança vogue-ninja como estratégia de ataque e defesa contra uma réplica da Estátua da Liberdade instalada em uma loja da Havan; e, em Hierogritos (2021), último curta da série, 13 artistas se dirigem montadas e armadas com palavras de desordem ao mercado Ver-o-Peso, em Belém, para performar seu corpo e presença ancestral no espaço. As obras são recheadas de palavras do pajubá, vocabulário utilizado por pessoas  LGBTQIA+ na região.

Após a sessão especial de pré-estreia, BQueer junta-se à curadora independente Paulete Lindacelva e à presidenta da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), Symmy Larrat, para uma conversa sobre os curtas e a situação da comunidade queer no Brasil.

Serviço
Pré-estreia de Thêmonias + Dia da Visibilidade Trans
29/1, às 17h, Cinema IMS Paulista, Avenida Paulista, 2424 | https://ims.com.br/eventos/pre-estreia-de-themonias-dia-da-visibilidade-trans-ims-paulista/
Entrada gratuita

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